quarta-feira, 11 de julho de 2007

Um dia em Londrina

A gente foi dar um pulo no Filo ( Festival Internacional de Teatro ). A proposta apareceu de repente. Uma amiga: "Vamos fazer um rateio". Legal, tava num lugar tão feio e aquela cidade é tão bonita...

Começamos bem. No caminho havia um amigo da amiga, que é um moço da academia, de gostos da academia. Academia no sentido acadêmico da palavra. Eles reviravam fitinhas, afinal, gente da academia beirando os trinta tem dessas coisas. Escolheram uma, que para mim era bem maldita. Tipo trilha de peça de teatro bizarra, talvez para entrar no clima. Aquilo alto, me enervando. Uma hora e meia depois chegamos.

Aí aquele povo todo que foi com a gente queria assistir uma peça nos moldes mambembe. Eu queria tomar uma cervejinha, pra dizer a verdade. Mas, tudo conspirava contra. Eu e meu querido companheiro até que demos uma andadinha, mas ficamos numa barraquinha mesmo, com biscoito de polvilho e água. Porque a bendita cervejinha não tinha.

Tivemos que ficar com a peça mesmo. Depois fomos para outra. E depois, os famigerados acadêmicos ainda queriam mais outra. Paga. Com a grana contada, restava uma voltinha pela cidade.

Até que recebi um sinal maligno.

Fumando um cigarrinho numa praça, senti a massa mole e quente cair na minha bochecha. Como se não bastasse, ela escorreu para a mão que segurava o cigarro. Puta que a pariu. Pomba filha do cão. No fundo, fiquei aliviada, pois a última vez que isso me aconteceu, já faz uns quinze anos. E se a gente pensar nessa regularidade temporal para a pomba cagar na nossa cara, a próxima projeção pra isso acontecer comigo, é quando eu tiver uns quarenta anos. Ainda tem tempo.

Precisava lavar-me. Fui até o teatro e pedi para fazê-lo. "Claro, fique à vontade". Respirei fundo, joguei água na cara e saí.

Segundo sinal maligno.

Distraída, ao fechar a porta do teatro, ouvi um gritinho estridente, mas continuei em frente. Foi quando olhei para o lado e primeiro vi o dedo esmagado na porta, depois olhei pra cara do dono do dedo, que falava ao celular. E, Glória Kallil não saberia, o que dizer para o sujeito? Fina : "Posso fazer alguma coisa para ajudá-lo?". Fino, me olhando com cara de vai tomar no cu, "Não". Virei-me para a fila e todos me olhando com rostos horrorizados. Quase tive uma síncope.

Fui para o lado dos nossos acompanhantes : "Vamos embora, algo horrível vai acontecer!".

Mas não aconteceu. Ao contrário, só mais fitinhas no retorno.