quinta-feira, 25 de outubro de 2007

P.S.:

Então, né? Tudo distante. E tuuuuuuuuuurvoo...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Dr. Delírio

No médico:

-Qual sua queixa?

Bláblábláblá. Mas o ginecologista prescreve Fluoxetina. Que porra tá acontecendo?E ele não consegue me explicar o porque.
-Quer dizer que qualquer médico prescreve para qualquer queixa um antidepressivo?
Ficou bravo:
-Vc vai se sentir melhor...
-Qualquer um vai se sentir melhor, depressivo ou não.
-Olha, as pessoas quando não tem um amor, não tem emprego, não tem dinheiro ficam deprimidas.
Desconfiei ainda mais. Um sujeito que pensa assim é, para mim, perigoso. Esse tipo de gente que legitima a perversão.
-Mas, eu não tenho emprego, não tenho dinheiro e meu amor mora longe. Mas eu tô bem. Melhor que em muitos outros momentos. O senhor acredita?
E ele não acreditou. Por que para ele, provavelmente a vida é um tratado certeiro.
Realmente ele não me deu nenhum argumento, sequer fraco, para justificar o uso do medicamento. Tentei conversar. Disse que vivemos num mundo idiota. Que é natural lidar com dificuldades, perdas, lutos, desilusões...Que vivemos na ditadura da felicidade e "disposição". Que desconfio dessa onda de por qualquer coisinha, o sujeito tomar um antidepressivo. Não adiantou.Ainda dei a última "cartada":
- Quer dizer, que quando alguém tem um ponto de vista um pouco mais crítico sobre o mundo, precisa de antidepressivos?
A pérola:
- Talvez você esteja além. É verdade, isso não é comum, mas acontece.
Rio por dentro quando me lembro. Mesmo diante de uma pessoa "além" ele não recuou:
- Vamos tentar?Daqui a noventa dias você volta.

Aceitei a receita.