terça-feira, 21 de abril de 2009

Respostas do corpo

Hoje vi alguém que está para morrer. É iminente. Mas essa pessoa não sabe disso. Todos ao seu redor sabem. Menos ela...Não sabe oficialmente, porém sente seu corpo definhando com o passar dos dias. Em, somados, quinze minutos de conversa tive algumas impressões, impressões de quem vem de vez em quando, impressões de alguém que sempre será uma garotinha nas lembranças de quem vai.
Ela tem inapetência. Não come nada, vomita tudo, está magrinhaaaaa...Ela se recusa a comer. Pensei nestes porquês. Todos os médicos dizem a ela que está ótima, no entanto...”Eles mentem pra mim, sei que não estou bem, como é possível que alguém esteja bem sentindo o que sinto?” Todas as suas dores, sua depressão, cada vez mais severa. “ Deixa ver se entendi o que a senhora está sentindo. Dói quando alguém conversa com a senhora? Quando ouve as pessoas conversando? Quando alguém lhe toca?”, ela concordando. “Mas não é uma dor no corpo, né? È no corpo, mas não é, né?”
“É isso mesmo, é tristeza, é muita tristeza.”
Será que se alguém revelasse seu verdadeiro estado, ela não se sentiria mais confortável com o “mistério” que há em seu próprio corpo?Por fim, pediu que eu orasse por ela. “E o que a senhora quer que eu peça a Deus?”. Respondeu impassível: “Que ele me leve”. Ainda perguntei se era a única solução e ela deixou no ar que sim. Diante de tudo isso, atenderei ao seu pedido. É o máximo que posso fazer em minha pequenez diante deste incômodo, que para ela, é viver

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Momento High Fidelity

Imaturidade. Feridas. Mágoas. Cansaço. E de repente...passa. E até articular, fazer-se compreender, é um saco. Essas coisas são um saco. A intimidade é um saco. A intimidade é encantadora, porém mergulhar na subjetividade de alguém e depois tentar afastar-se dela, ai, esse processo é uma porra de um pé no saco. E volta o cansaço. Menos potente, mas volta. Até arfo, só de pensar. Voltando ao assunto dos vinte e cacetada, aprendi algo. Ou acho que é um aprendizado. Tem horas que é preciso ser preciso. Reto, objetivo. Existem determinadas conversas que não levam a lugar algum. Existem momentos em que o melhor é o não dizer. É o não se fazer presente. É tipo um pause. A gente sabe. A gente sabe que não existe o “nunca mais vou falar com você?”, “nunca mais vou te ver?”, puta merda, como isso enche o saco! Vamos esperar o tempo passar, Manoel Carlos às vezes acerta. A mulher A que é irmã de B e casa com o homem C, vive com ele sete anos, irmã B fica viúva, o casamento de A entra em crise, eles se separam. Homem C pega a irmã B, irmã A encontra o homem de sua vida que era namorado de sua melhor amiga que morreu, todo mundo casa e aparecem super bem resolvidos no final da novela, bebendo um vinho e rindo do passado. Bem, o problema até “resolver-se”. Mas a gente resolve...de um jeito ou outro, resolve.
Como Cristina, eu sei o que não quero. Não quero mais horas a fio de devaneios insensatos, prolixos e... arfantes.
P.s.: Onde será que o verbo "arfar" estava escondido no meu cérebro?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Trilhas

Tô aqui ouvindo Weezer. Como já disse alguém um dia, uma banda de molequinhos gritando. Que maravilha! Esguela, gente! Me lembro da banda de uns amigos que tocavam bêbados e mal pra caramba. Meu momento particular de êxtase era quando eles cantavam uma música que, não sei o nome, mas começava com "Oh Yeah!All right!" e ficava tudo legal naquela hora. Principalmente quando subiam dois amigos tão bêbados quanto o resto, para cantar. E eles esguelavam...e era demais!
Meu álbum preferido é o Pinkerton, adolescência pura. Adolescência derradeira, dos vinte e pouquinhos. Pinkerton me anima pra fazer coisas chatas como faxina, comida, lavar louça, roupa. Assim como Ultraje à Rigor, super serelepes.
Quando era pequena ficava me imaginando fazendo videoclipes secretos. No carro, viajando no banco de trás, ouvindo Cindy Lauper, ninguém imaginaria que eu estava numa super produção.
Hoje também faço videoclipes secretos, às vezes nem tanto. Desejaria ter participado da primeira cena do Hair, cantando, estrelando Aquarius. Dancing Queen também não cairia mal, Only Yesterday, até mesmo Jackson´s Five.
Bem, quem não fantasia essas loucurinhas?...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Estou ótima!

Estou ótima! Estou aprendendo a ficar sozinha. Estou me curtindo. Estou conseguindo me suportar. E minha mãe disse: Você é muito nova para conseguir se suportar. E a sem vergonha tem razão. E um outro amigo cretino disse: O que, você ficou na internet dois dias seguidos “se curtindo”? É, eu fiquei. Você está muito carente. Imagina! Fiquei no msn esperando uma alma viva e agradável entrar, no orkut aguardando um recado, de jeito nenhum, não estou carente, estou deixando as coisas fluírem. Mas sozinha, hummm, sozinha ta foda.
Dizem que dos vinte e cinco aos trinta a vida é um saco. Todo mundo acima de quarenta fala isso. Aliás todo mundo em algum momento vai reclamar de qualquer fase da vida. Principalmente da imediatamente anterior. Bem, as periodizações e conceitos sobre o que são “fases da vida” variam conforme o interlocutor. Mas, voltando aos vinte e cinco, bem, aos vinte e cinco parece que ficamos pessimistas e rabugentos, que a vida ilusoriamente se estabilizou, o que é uma grande mentira. Nós, de mente aburguesada, acreditamos que somos bons de cama, prodígios infalíveis e insubstituíveis, petulantes, ironicamente baratos, prafrentex, bonitos. Quando saímos pro mundão de cão...aaaahhh! A coisa muda de figura, meu bem. Vai pagar de modernoso pra ver! E então, temos que nos dobrar a um terrível dogma cristão. Humildade. Ê palavrinha...Quando se fala de alguém pobre, geralmente nos referimos a uma pessoa “humilde”. Que merda de palavra é essa? Se formos levar em conta essa conotação, chegamos à conclusão que o “humilde” é um ser desprovido. De que? Bem, talvez aos vinte e cinco sejamos desprovidos de sanidade.
Quando eu tinha quinze e era meio “ louquinha”, meu pai me disse que a crise existencial que eu tava tendo, ele teve com trinta. Será que estou na crise dos cinqüenta?
Que ridículo...
Solidão? Que é isso! Não à toa estou postando no blog, pra ver se alguma alma viva me ouve! E comendo chocolate loucamente.