quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

De novo e de novo

Faz umas duas semanas que sair de casa demanda um esforço tremendo de minha parte. É que o movimento lá fora me deixa exausta. Só de respirá-lo, esse frenesi de natal, me consome. Mamis acha que estou com vermes. Não...

Tentando mapear a origem deste cansaço todo, deparei-me com uma definição interessante que poupa explicações mais profundas: dezembrite.
Mas dezembrite não é algo simples como parece. Dezembrite parece uma espécie de parto. Onde almejamos a renovação que chegará em 31 de dezembro, às 23h59m. Mentira. Mas porque não fingir que se crê nisso? Vai que dá certo...

Outra coisa me intriga: não sou nada amiga do natal. Além de razões políticas e religiosas, é no natal que me deparo com os falhamentos geológicos de meu ser. É numa cadeira que nunca foi preenchida à mesa, é na saudade que sinto de quem está vivo e longe, é na repulsa em alimentar as neuras da minha mãe que persegue uma perfeição inexistente na ceia, é na melancolia de comer um peru que foi importado da ação de graças. E peru é um bicho grande. É um bicho pra se comer entre muita gente! E eu sou de família moderna. Ela é completamente fragmentada. E isso me remete ao tempo em que ela não era. E me traz uma sensação que senti plenamente um dia: segurança e tranquilidade.

Essa é a angústia. Eu sei o que é tranquilidade e ela fugiu de mim. Depois desse ano, que data ainda da década de oitenta, tornei-me uma personagem de Woody Allen. Mais uma.

E eu também aprendi que tudo isso é construção. Mas eu não consigo...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Espécie de maternidade

Sempre gostei de bichos, mas a uma distância considerável.
Tenho uma tartaruga com a minha idade. Somos grandes amigas.
Com a cachorra de 16 anos que tenho, aprendi a respeitar os bichos (entenda-se: não colocar o gato no forno) e me tornei quase ativista da ong da Luisa Mel (mentira!).
Até que encontrei um ser superior e fofo, numa calçada, nas profundezas da zona leste.
E agarrei amor!
E deixo ela entrar na cozinha. E na sala. E no quarto. E acordo de noite pra dar bronca nela. E a chamo de bebê! E dou remedinho, compro brinquedinhos e brinco com ela. E fico prestando atenção nas maluquices que ela faz. Comento: "Que lindo!". Ela mastiga meu chinelo, revira o lixo, caga no taco e me emociono. Cai uma lágrima Tenho crises: "Sou uma mãe omissa?".
Mas eu não me lembro de ter sentido sensação semelhante. Uma espécie de estado de graça. Que me deixa com olheiras, lógico. Mas, idiotamente, continuo rindo.
"Vem cá bebê!"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pedido atendido

Um anjo atendeu ao meu pedido e mandou escritinho: os dois primeiros parágrafos do High Fidelity. A-do-ro.

"Em ordem cronológica, minhas separações mais memoráveis , as favoritas, as cinco que eu levaria para uma ilha deserta:

1) Alison Ashworth
2) Penny Hardwick
3) Jackie Allen
4) Charlie Nicholson
5) Sarah Kendrew.

Essas foram as que doeram de verdade. Está vendo seu nome nesta lista,Laura? Acho até que você conseguiria entrar sorrateiramente, nas dez mais, mas não há lugar para você nas cinco; esses lugares estão reservados para aquele tipo de humilhação e sofrimento que você simplesmente não é capaz de provocar. Provavelmente isto está soando mais cruel do que deveria, mas o fato é que já passamos da idade de magoar um ao outro, e isso é uma coisa boa, não é ruim, de modo que não leve para o lado pessoal o fato de você não ter entrado na lista.
Aqueles tempos se foram, boa viagem e fodam-se eles; a infelicidade realmente significava algo naquela época. Agora é só um saco, como ficar resfriado ou não ter dinheiro. Se você realmente queria me sacanear, deveria ter me conhecido antes" N.H

domingo, 28 de novembro de 2010

Momento High Fidelity 2 ou 3

Ainda desejando o livro de cabeceira que não tenho, vou relatar aqui um Top 5 das desilusões amorosas, mas só com o último lugar, porque eu não sou idiota. Bem, não tanto.

José Vinícius.

1992, 4a série. Ao final do ano, J.V. entra na escola, fugindo de alguma repetência ou algo do tipo. Amor à primeira vista. E quanto mais distante, melhor. Como todo coração apaixonado com dez anos de vida. Mas, arrisquei. Enviei bilhetinhos para saber mais sobre aquela pessoa. "Você veio de qual escola?", "Tem irmãos?", "Mora aonde?". Tudo com uma caligrafia grotesca. Nos aproximamos e nos tornamos muito amigos.
Mas, minha vida em modo loser, começou aos onze. E na quinta série, entrou uma garota chamada Andressa. Nos tornamos amigas, muito, mas muito íntimas. Com toda a intimidade que alguém de onze anos tem a oferecer.
E a Andressa tingia o cabelo. De loiro. Algo que sempre me suscitou desconfiança, principalmente se mal tingido.
Confidenciei meu amor secreto. Contava tu-do. "Ele sentou perto de mim na Educação Física", "Ele copiou a lição do meu caderno", "Ele pegou um pedaço do meu lanche".
Até que um tempo depois (talvez uma quinzena com toda a intensidade pueril que nos leva a sentir que foram meses depois) fui ao aniversário da Andressa.
E ela estava lá.
E o José Vinícius também.
E eles ficavam se roçando.
Então, percebi que me fodi.
E eles se beijavam de língua! Eca!

E depois, na escola, juntamente com outras criancinhas malditas, esse casal começou a me zoar. E afetaram a minha estrutura emocional, até hoje. Acho que foi daí que comeceeeei a maturar um processo, de que algumas coisas só se resolvem na porrada.

Taí o quinto lugar.

sábado, 27 de novembro de 2010

No dos outros é refresco

Eu queria um exemplar do livro Alta Fidelidade, cá comigo. Aquele personagem é muito loser. É loser como a gente. Eu queria me divertir às custas dele. Rir dele e de mim. Pensar nele e pensar em mim. Este se tornou um livro de cabeceira que eu não tenho. Daria tudo para ler os dois primeiros parágrafos neste e-xa-to momento.

Mas só posso me contentar com um trecho do filme, talvez o único legendado e como não entendo picas de inglês, a não ser completamente bêbada, vai esse mesmo:

http://www.youtube.com/watch?v=OWYBe0iCL08

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O velho sábio chinês 2

Seis na segunda posição significa:
Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
A perseverança traz boa fortuna.

Aqui descreve-se alguém que não se deixa enganar por ilusão alguma. Enquanto outros se deslumbram com o entusiasmo, ele reconhece claramente os primeiros sinais do tempo. Assim, não adula os que se encontram acima, nem negligencia os que se encontram abaixo. Ele é firme como uma rocha. Quando os primeiros sinais de discórdia surgem, ele percebe o momento próprio à retirada e não se retarda um dia sequer. A perseverança em tal conduta traz boa fortuna.
Confúcio comenta e respeito dessa linha: "Conhecer as sementes é sem dúvida uma faculdade divina. Em sua relação com seus dirigentes o homem superior não é adulador. Na relação com seus subalternos não é arrogante, pois conhece as sementes. As sementes são os primórdios ainda imperceptíveis do movimento, o primeiro sinal de boa fortuna (ou de infortúnio). O homem superior percebe as sementes e age imediatamente. Ele não espera um dia inteiro.
Diz-se no Livro das Mutações:
'Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
A perseverança traz boa fortuna'.
Firme como uma rocha, para que um dia inteiro?
Pode-se saber o julgamento.
O homem superior conhece o oculto e o manifesto,
conhece a fraqueza e também a força:
por isso as multidões erguem o olhar para ele".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Chuva

Chuva na metrópole.

eu: zzzzzzzzzzzz...
meleins?
Ele: oi!
melens. e aê?
eu: zzzzz...
Ele: sonão! aulas?
eu: acho que hj foi um dos dias que mais praguejei antes de me levantar
sim e acordei na hora da chuuuuva
Ele: sim... engraçado... chuva nunca me fez bem... acho que tenho um problema...
acho que só gostei de chuva de verão, que tinha hora pra cair, e geralmente estávamos cansados...
eu: quem tem problemas é quem não respeita a chuva e sai de casa
Ele: é mei isso...
eu: dias chuvosos deveriam ser decretados feriados compulsórios
Ele: ma se tenqui sair, tenqui. è memo...
eu: que continue chovendo entao, que durmo sem um pingo de culpa
Ele: hoje acordei com chuva, e voltei a dormir.

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Teacher's room. Engraçado, nessa manhã de chuva...Ninguém reclamava de nada. Raríssimo. Um colega mal abria a boca enquanto jogávamos conversa fora, durante o intervalo. Eu:
- Você não tá aí não, né?
- Tô off line. Na verdade você está falando com o meu avatar, enquanto estou ausente.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Chopin arruinou a minha vida

"E quando ela chegou ao fundo do poço, encontrou uma britadeira..." (J.P.)

Brincando de paciência comigo mesma. Perdi. Brincando de quebra-cabeça comigo mesma (sempre), faltam pecinhas. Encaixo algumas nos lugares errados. Às vezes já sei onde vai dar. O fato é: quando descobri que faltava um parafuso na minha cuca, descobri uma nova vida. Afrouxei o parafuso e alí estava uma velha conhecida: a melancolia. Que traz consigo outras e outras companhias. Que me levam ao abismo. Escalar abismos é comigo. Vivi uma vida inteira fazendo isso. Arrumei uma forma de tornar isso mais fácil e menos doloroso.
Tem existência que é vertiginosa. Conheço algumas. A minha vertigem conheci ao longo dos anos.
Tem existência que não cabe em si.
Tem existência que é delicada demais para mesclar-se com o mundo.
Sou mais uma futura velha solitária e louca, que vai viver num sítio cheio de cachorros. Ou tartarugas, talvez? Ou quem sabe, uma coala, uma preguiça?
Engraçado, que um amigo, na adolescência, já pintara essa imagem de mim.
Voltei a velhas questões. A velhos hábitos. A velhas dores.

Álvares de Azevedo arruinou a minha vida.
Chopin arruinou a minha vida.
Junqueira Freire arruinou a minha vida.
Fernando Pessoa arruinou a minha vida.

Hilda Hilst me ajuda na reconstrução.
Murilo Rubião.
García Marquez.
Raduan Nassar.
E mais uns outros. Me tragam o velho gosto da descoberta! Que é por ela que mantenho-me viva!

(Pode parecer um texto suicida, mas não é. É só o meu rabo de T-Rex, que detona tudo o que vê pela frente)

sábado, 30 de outubro de 2010

Rapidinhas do Debate

Serrinha insistiu na saúde! Ele quer trazer a assepsia de sua personalidade aos pobres!Esteriliza os pobres e exterminaremos a pobreza!

Serrinha, quando falava de educação, falava da produção de mão-de-obra barata. Igualzinho ao que o PSDB fez em São Paulo. Mão-de-obra barata para continuar servindo à tchurma dos Jardins.

Serrinha falou do impostômetro de R$1 trilhão. Esqueceu que a maior arrecadação é no Estado de..........., que por sua vez, foi governado por 16 anos (agora iremos aos 20, o coração aperta...), pelo...tchanram!

E o governo federal investe na educação do Ensino Médio e Superior, por que a educação básica é atribuição dos Estados e Municípios. O que aconteceu com o Estado de São Paulo? Tem semi-analfabeto por todos os lados. É uma epidemia que já chegou à universidade!

E as universidades federais? Ainda não estão nos trinks, mas a bagunça do FHC, aquele que nos disse para esquecermos tudo o que ele escreveu, já está sendo arrumada.

E por falar em universidade pública, em especial nas carreiras de licenciatura, onde ficariam as ciências humanas na fatia da arrecadação de impostos? "Tem um lugar especial no nosso coração", assim disse um ex-presidente da FAPESP, há quase dez anos atrás.

O baixo clero da Ordem dos Descendentes dos Bandeirantes se incomoda com bolsas que sustentam a "indolência" dos não-paulistas. Esquecem-se de olhar ao redor, com os investimentos inclusivos muito mais globais.

Mamis está brigando comigo por torpedo! Não poderia deixar de manifestar minha oposição àquele que está provocando uma bagunça na minha vida familiar.

PSDB não!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mamãe cortou relações comigo

Que mamãe tem seu coraçãozinho azulado pelas cores tucanas, não é novidade para os visitantes desse blog (Ver Amor Tucano). Agora, cortar relações com a filha porque ela não vai votar no Serra é amar demais essa porra desse partido.
Agora que eu não voto no Serra mesmo! Virou uma questão pessoal!

Não adianta, tenho sangue "vermelho" correndo nesse corpo. Não posso votar nesses malditos almofadinhas. Agitadores políticos de gabinete, como líderes estudantis, gente tão "limpa" que tem propostas que me remetem a uma higienização social, gente que protege o patrimônio da tchurma dos Jardins com unhas e dentes, gente que alimenta o ódio da classe média alta aos pobres.

AMAs, AMEs e afins, serão construídos bem longe das pequenas fortalezas semi-feudais para não ameaçarem esta suposta ordem. A ordem da desigualdade. A ordem dos bacharelescos, a Ordem dos Descendentes dos Bandeirantes. Que afinal, "sustentam" todo o restante do país com o "suor" de seu trabalho. E que, diga-se de passagem, está perdendo para o bolsa-família seu contingente de mão-de-obra barata, que por sua vez, sustenta todo o seu patrimônio.

Serra, o feto mal formado, entra na reta final de sua campanha utilizando de argumentos muito parecidos com aqueles proferidos pela turma da Marcha da Família às vésperas do Golpe Militar. Só falta ele afirmar que se a Dilma ganhar, o pessoal da fatia do PIB vai ter que dividir apartamento triplex com os mendigos dos seus arredores. Pânico!

Serra e Dilma fazem parte da mesma geração acusada de acabar com todos os "sonhos". De, após lutarem, por sei lá o que, mas na contra-mão de uma ordem vigente, serem diplomados como serviçais do grande capital. Fazem parte da geração que colocou a cerejinha em cima de um monte de merda.

Eleição difícil essa. Me atenho à transferência de renda. E ao mal que os tucanos dos infernos infligiram à minha família!

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Mas que os "vermelhos" são mais divertidos, isso sim! Deve ser a tal da indolência, considerada tão nociva pelos tucanos comuns.

http://www.conversaafiada.com.br/
http://byebyeserra.wordpress.com/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Esquizofrenando

Aí eu fico vendo umas coisas por aí e penso: "porque comigo não é assim?".
E, caralho, dando uma olhada rápida pela minha história vejo que não teria como ser "assim" mesmo. Quando eu era pequena, na feira, eu só queria que minha mãe comprasse um suquinho que vinha dentro de um brinquedo vagabundo de plástico. Eu só queria assistir Chaves. Eu só queria morar no condomínio classe média emergente que todos os meus colegas de escola moravam. E embora eu não acredite no "assim", eu o desejo, às vezes. Porque o "assim" parece uma dança milenar da normalidade, tão bem estruturada que fica difícil não crer nela.
Mesmo assim, eu duvido.
E ando implacável com a vida nos últimos dias. Ninguém tem passado incólume pelo meu crivo interno. E está tão difícil!

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Terapeuta.

- Vim de bicicleta hoje.
- ...
- É, fui até tal lugar e depois ia fazer um negócio que não deu certo. Por isso cheguei mais cedo.
- E, que negócio era esse?
- Nada, só iria fazer as unhas.
- E porque não deu certo? Você às roeu?

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Outra do terapeuta.

- Queria saber andar de bicicleta sem as mão no guidão.
- Para quê?
- Para passar pela fila do congestionamento fazendo assim (gesto de "se foderam").
- Ao fundo, uma trilha do Beach Boys.
- É!
(...)
- Sabe o vocalista do Beach Boys? Era tão feliz que esquizofrenou.

Adotei o verbo para engrossar meu vocabulário.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Julia Roberts do terceiro mundo

Fazendo as unhas. A manicure curte um cineminha. Sempre vem com novidades. Não fazem meu tipo, mas a gente joga uma conversinha fora, pra passar aquele tempo chato:

- Fui assistir "Comer, rezar e amar".
- E aí?
- Ah...é a história de uma mulher que sofre uma desilusão, sabe? Aí ela fica meio pra baixo, meio depressiva. Aí ela começa comendo. Depois decide viajar o mundo. Vai pra Índia, China...esses lugares, sabe? Aí ela fica rezando. E depois, quando volta, encontra um grande amor. Um filme muito bonito, sabe? A moral da história é que blá,blá,blá...
- E ela era pobre, no filme?
- Não.
- ...
- ...
- ...
- É, né?
- ...

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Fui assistir a um filme legal, chamado "Reflexões de um liquidificador".

Dentro da sala. Um filme começa. Um molequinho judeu ganha uma câmera do avô judeu e começam a filmar sua vida judia. Era legal, engraçado...lembrava uma coisa universal de vó de São Paulo. Bifinho, batata frita, essas coisas. Mas tinha aquele papo Auschwitz e tal. Uma câmera trêmula e irritante. Comecei a xingar em pensamento a amiga que sugeriu o filme. Tem gêneros de filmes que me cansam. Com todo o respeito, esse é um deles. Filme de alemão na segunda guerra, também. Filme de retirantes brasileiros, também. Filmes de professores branquinhos que vencem barreiras no Bronx, também. Filmes de homossexuais que morrem no final, também. Nunca vi um filme sobre homossexuais que terminasse com final feliz! E isso até que é verossímel... Passo longe, então, de alguns "filme-denúncia".

Mas não era o filme que fomos assistir, apenas um curta.

E, de repente uma atriz de stand-up, entrou no meio da sala, acendeu a luz, contou meia dúzia de piadas cretinas e se foi...

Abestada fiquei.

Se eu soubesse teria ido no filme da Julia Roberts. Cinema de culturete é um inferno.

Prontofalei!

domingo, 3 de outubro de 2010

Dá-me corda!

Se, a pessoa com a qual eu passo mais tempo, que me é mais íntima no momento, tem 12 anos e não tem nenhum grau de parentesco comigo, então algo está errado.
Mas, nem tudo está perdido. Pois me encontrei com pessoas que mal vejo, mal converso e estão sempre perto. Nos diálogos internos, nas lembranças, na amizade e intimidade que nunca se esvaem.
E é tão confortável!
Porque depois de um dia que começou estranho, a tarde foi caindo sorridente e encontro os meus queridos que me deixam ser à vontade, ser qualquer coisa sem importância. Nada exigem de mim. Que ouvem as minhas baboseiras e sorriem, como sorriem aqueles que lhe conhecem por telepatia. Que sorriem com o maior carinho do mundo, porque a Coala é isso aí.
Na despedida, desculpo-me por qualquer coisa. E mais risos.
E rio por dentro quando penso na resposta: "A amizade é a mesma". Sempre.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cartilha para o Devir Gado (Volume 1)

Sou da turma BG (Bicho Grilo) que não gosta de dar prova. Puta negócio nada a ver. Você vê um monte de gente super esperta se lascando porque não "domina" a matéria, fica num estado agoniante de nervosismo e ansiedade, fora o semi analfabetismo (cada vez mais presente, tanto em escolas públicas, quanto particulares).
As Diretorias de Ensino exigem provas. Na verdade, documentos escritos. Pobre diabo do aluninho que tem que se prestar a tudo isso por conta dos burocratas adultos que não sustentam o modelo educacional.
Tentei fazer algo diferente nesse bimestre. Um trabalho de campo, em que a apresentação privilegiasse outras linguagens de expressão, em especial midiáticas. Teria peso 2, para aliviá-los da prova bimestral. Dando certo? Só em uma sala, de três. A outra teve adesão parcial e a crica do terceiro ano quer tudo do jeito de sempre. Estão fazendo a "lição-de-casa" direitinho. Calafrios.
Agora estou aqui. Preciso elaborar a prova bimestral, já com prazo estourado. Já que tenho que aplicar isso, tento fazer com que esse se torne um momento útil na vida dos meus alunos. Então, elaborar provas, pra mim, é um processo criativo, quase artístico. Mas tô sem a menor "inspiração".
Acho que vou ver um filminho...quem sabe me brota algo, não?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O velho sábio chinês

Nove na terceira posição significa:
Mantendo imóvel o quadril.
Rigidez na região do osso sacro.
Perigo.
O coração sufoca.

Isso se refere a uma tranqüilidade forçada. Procura-se dominar a agitação do coração por meio da violência. Porém, o fogo, ao ser abafado, transforma-se numa fumaça acre que vai asfixiando à medida que se espalha.
Do mesmo modo, em exercícios de meditação e concentração não se deve procurar forçar resultados. Ao contrário, a quietude deve surgir espontaneamente, a partir de um recolhimento interior. Caso se procure impor a tranqüilidade através de uma rigidez artificial, a meditação poderá causar grandes perturbações.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

...

Eu tenho um negócio aqui dentro de mim. Me faz desejar quebrar paredes num chute ou atravessar portas com um soco. Vou do 0 a 100 rapidinho. Porque eu tenho um negócio guardado aqui dentro de mim.
Entendi mamãe. Parecer ponderada dá muito trabalho. Demanda uma energia quase cancerígena. Faz mal pro pulmão. Guardar não deixa a gente respirar.

Continue

E abri um sorrisão ontem. De orelha a orelha.
Um casal de amigos vai celebrar o seu amor. Isso é lindo!
Fiquei imaginando o reencontro com os amigos, alguns que não vejo há uns cinco anos.
Fiquei pensando sobre as "fases" da vida (burguesa, evidentemente). Como num video-game:

FASE 1: Infância e adolescência. Necessidade de afirmação de um lugar agradável no mundo.
Chefões: Pai, mãe, escola.

FASE 2: Pós-adolescência. Necessidade de afirmação de um lugar agradável no mundo. Exercício contínuo de joguetes pós-adolescentes contra regras idiotas que nos dizem - temos que seguir. Solidão. Pessimismo. Melancolia.
Chefões: TCC, inserção no mercado de trabalho, CPF.

FASE 3: Vida "Adulta". Necessidade de concretização de um lugar agradável no mundo. Harmonização consigo mesmo, em especial com as próprias fragilidades. Objetivação.
Chefões: Chefe, horário comercial, restrição no CPF.

FASE 4: Compartilhando a vida "adulta". Você finalmente conseguiu um pouquinho de paz em seu coraçãozinho e quer dividir isso com alguém legal.(NESSA FASE ESTÃO ALGUNS AMIGOS)
Chefões: Horário Comercial, Comidas Gordurosas, Prestação da Casa Própria.

FASE 5: Compartilhando mais um pouco a vida "adulta". Tão bacana essa vida compartilhada, que não custa nada dividir com mais alguém. No caso, uns bebês, quem sabe?
Chefões: Hormônios Alucinantes, Privação de Sono, Horário Comercial.

FASE 6: Compartilhando porra nenhuma com ninguém. Deu o que tinha que dar e você quer a separação. Inclusive dos filhos.
Chefões: Ex, você e a demanda das crianças.

E por aí vai. Felizmente, as pessoas que eu conheço que vão nessa festa, ainda estão entre as FASES 3 e 4. Alguns na 5. Ninguém chegou na 6 ainda pra contar como é que é...espero que tenha um Password secreto pra todo mundo continuar contente. Um bando de gente rindo igual idiota. Adoro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Supernanny mandou beijos

Um Garotinho precisando de acompanhamento escolar. Uma mãe "moderna", trabalhadora, que terceiriza todos os tipos de serviços.

Tô indo lá. E batendo papo com o Garotinho, que é muuuuito esperto. Mas hoje chego e ele escondido, mais do que todas as vezes. Mãe indo pra lá e pra cá, porta aberta, telefone, irmão, cachorro, gato, passarinho. Mãe diz: "Não repara não, que ele tá muito chatinho hoje". Garotinho se amua ainda mais. Pergunto o que há. Bom ariano que é, não gosta de responder essas coisas do coração.
Sem condições de dar aula. A agonia do Garotinho me angustia.
Vamos fazer uma brincadeira. Do que o Garotinho gosta? Ele não sabe responder. Então fazemos a listinha do que ele não gosta. Mãe aparece na sala, grita alguma coisa e sai:
- Ela é louca.
- Conforme-se, todas as mães são loucas. Pra toda a vida.
Ele ri.
Vamos adentrando um pouco mais na brincadeira. Ele vai se escondendo atrás dos objetos que aparecem na sua frente. E a aula? A aula é sobre você, Garotinho. Sugiro dar uma volta, ele não quer. Chegamos num ponto importante. Escrevo no caderninho:
" Garotinho não gosta quando a aula é interrompida.
(Puxo a flechinha) - Garotinho se sente desrespeitado, quando alguém não entende o que é importante para ele".
Estou certa? Sim, ele responde. E começa a chorar, cabisbaixo, bem quietinho.
Deixo ele alí um pouquinho, vou pegar um papel para enxugar suas lágrimas. A mãe passa pela sala, estranha, vai embora.
Até que interrompe o momento dele:
- Tudo isso por causa de um video game. A gente quer agradar, mas eles nunca reconhecem. Está se fazendo de vítima.
Garotinho atira a calculadora, o compasso e o estojo na mamãe. Comovente. Por ele, claro. Sai correndo pro banheiro da área de serviço e não abre mais a porta.
Ela vem falar mais pra mim:
- Não é por isso.
E começo a discorrer sobre o desrespeito a alguém que começa a afirmar sua individualidade, nessas situações "corriqueiras". Ela chega a uma conclusão óbvia, e sempre válida:
- Intimidade é uma merda.
Porque a gente perde a mão. Em especial com os filhos. Sempre quem toma no toba são os íntimos. Ela chora, abraça e se pergunta como não percebeu essas coisas antes.

Eu vou lá com o Garotinho, que meu negócio é com ele. A essa altura ele estava no quarto da diarista, sua grande tutora, escondido debaixo das cobertas.
Digo o que aconteceu e sobre as coisas que revelei à sua mãe sobre nossa conversa. Pergunto se ele me odeia por isso, ele sorri e diz que não. Ufa. Tenho pavor em quebrar relações de confiança tão sublimes.

Me parece que tudo caminha para um final (de semana) feliz.

domingo, 22 de agosto de 2010

Ops!

Tentando dar mais uma chance à psicologia, numa sala de um terapeuta. Depois de alguma conversa:
- Bem, não gosto de me ater a uma abordagem muito específica, no entanto fiz uma pós graduação na linha fenomenológica-existencial.
- É mesmo? E do que se trata?
- Na verdade, blá, blá, blá...
- Huuum.
- E parte de uma certa leitura de Heidegger.
- Olha...a última vez que ouvi falar de Heidegger, foi numa festa, há muitos anos atrás, umas quatro e meia da manhã. Eu já estava doidona. Aí, um cara que fazia pós aonde eu estudei, em Heidegger por sinal, me falou umas coisas. Eu na verdade, não me lembro de nada. Só de perguntar 'Como é que você não deu um tiro na sua cabeça, ainda?".
O jovem psicólogo sorriu.

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Na cozinha, onde brotam as melhores conversas, inclusive as de pé de ouvido. Chego e conto a história. Muitos risos e o comentário:
- Mas o Fulano tentou se matar, vc não sabia?
- ...

Na segunda sessão, esqueci de contar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mais sobre o amor

O caso: Casal se separando. Novos horizontes.

Agora, minha explanação:
No meio do vendaval, aparece alguém no caminho. Frescor e leveza da novidade. Tristeza e luto por um relacionamento que se vai. E esse luto...ah, esse luto. Enterramos com o relacionamento uma parte de nós que também se foi. Apontamos para mudanças. É a oportunidade de nos reinventarmos, ou ainda, de acordar alegrias dantes adormecidas. Mas, é lógico, que a névoa da despedida nos furta a vista.
Hoje sou a favor da fase moletom. Calcinha bege, nada de depilação, apenas alguns filmes, comida e caixas de lenço. Para chorar o defunto. Uma cana, eventualmente, para beber o morto é muito bem vinda também.
No processo de separação, faz parte do "pacote" a presença incômoda de "outros". "Outros" estes que inspiram o seu objeto de amor a aplumar-se, embelezar-se e tornar-se encantador. Novamente. Novamente o frescor. E a pergunta: "Porque o (a) infeliz não fazia tal coisa quando estava comigo?". Porque não era pra vocês! É a tal da "simbiose neurótica" (créditos para alguém que já se foi). Avaliemos, cada qual, nossa parte neste tipo de relação.
Agora, sobre o "outro": personaliza o fracasso a que estava fadada a relação. Torna-se objeto de raiva. Racionalmente arrumamos mil desculpas para odiarmos este tal "outro". Mentirosas. Odiamos mesmo é o objeto de nosso amor, por deixar à mostra a urgência do fim.
E depois de um tempo (sábios os velhos que dizem que este cura tudo), talvez venha a oportunidade da resignificação: há um afeto que não cabe no território da paixão. Daí pode nascer uma amizade sólida entre velhos conhecidos. E olhar para trás, traz o alívio de haver velado um relacionamento infrutífero e infeliz no momento propício. Então se ri com a tão almejada leveza, dissipada de mágoas, que só alguém que cresceu com a "perda", pode ter. Estamos prontos para nosso próximo amor, ou até mesmo GRANDE amor. Que delícia!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O néctar

Pois é, tento me conter pra não postar determinadas coisas aqui, mas não caibo em mim. Tenho que dividir meu estado de graça.
Vi uma foto do meu amor, tão linda! Tão iluminada e alegre, tão ele! Um sorriso que me faz sorrir, um brilho no olhar que me comove. Totalmente exposto em sua subjetividade. Me faz pensar novamente o que pensei quando nos "encontramos": presente da vida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esguelando

Azedume incrível. Tentando me recordar de paliativos para adoçar o azedume. Deu vontade de cantar. Bem alto. Mas não dava, tinha muita gente perto...
Mas hoje deu! E a trilha de exorcismo começou com Magical Mistery, depois pra Gal-Fatal. Cantando desafinada junto com a Gal. Beeem alto. E ninguém ouviu, porque o boçal do meu vizinho tava ouvindo o Bonde do Canguru. Deus que me livre. Hoje não o odiei tanto, pois ele desviou as atenções pra si.

O dia está começando, o que será que vou cantar mais tarde?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Caranguejo psicótico

Cancerianos tem garrinhas que são como antenas parabólicas. Talvez seja essa a sensibilidade que nos é cara, tão comentada por aí.
Temperadas com hormônios femininos, as percepções ganham um tom de assombração, por vezes beiram o delírio. É isso que eu espero, na verdade. Que todas as baboseiras que ando pensando sejam só mais um delírio sazonal.
Cancerianos se antecipam às atitudes dos outros. Mais ou menos assim: enquanto assiste alguém, vai enxergando os próximos passos deste outro, antes mesmo dele. É quase um devir-vidente. E é nato, não é um exercício.
Estou com medo do que ando antevendo. Meu não-sei-o-que-na-casa-de-Mercúrio grita em mim. Grita para eu gritar. E perguntar de uma vez por todas, "o que é isso?". Mas quando paro pra pensar que pode ser só mais uma fantasia, fico com vergonha. E assim mesmo, sinto sintomas que já me são conhecidos, de quando um sapo que é grande demais entra pela minha boca e não consegue adentrar pelo meu corpo: tenho enjôos e diarréia. É uma expulsão. É uma não aceitação.
(Silêncio)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Novas das criaturinhas

Criaturinhas me olhando, olhando...
Até que encheram o meu saco e as virei de cara pra parede! Se não quer conversar então não amola!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Banzo"

Tenho cá pra mim que o trajeto entre viagens é um local neutro dentro de nossa subjetividade. Parece que é meio que um pause existencial.
Uma vez acompanhei uma amiga até nossa cidade natal, logo após o suicídio do ex-namorado dela. Este é o exemplo mais conciso que tenho. No caminho, ela dotou-se de uma leveza, como se tudo o que aconteceu estivesse num lugar muito distante. Após seis horas de viagem, ao adentrarmos o perímetro urbano da metrópole, a moça desabou. Tudo voltou.
Passei uns dias fora e deixei aqui umas criaturinhas. Quando voltei, logo ao abrir a porta de casa me deparo com elas encarando-me. Com aqueles olhos fixos e vivos de quem cobra algo de alguém.
Estou de volta e tem um negócio me comendo por dentro.
Moço Esguio chama isso de "banzo". É o "banzo" de domingo, é o "banzo" de retorno, são tantos outros "banzos" por aí...
Quero um abraço...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mais simples do que se imagina

Conversando com uma psicóloga ontem. Juramos que não iríamos falar de trabalho. Mentira.

- Trabalhei numa instituição com deficientes.
- ...
- Conheci o Édipo. Era autista. Não estabelecia relações com nenhum outro corpo. Era muito estranho.
- Então, era só isso?
- Pois é...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aprendendo com Gloria Kalil

Às vezes eu tento ser fina. Mas falta muito. A italianada da Mooca cruzada com o passado em Aviãocity gritam em mim. Trabalhei com uma mulher fantástica que é muito, muuuito educada. Assertiva no Network. Jamais a vi falando mal de alguém. No máximo, seus olhinhos para o alto e, quando notava que eu havia percebido, assumia uma postura indiferente. Ela me ensinou: "Refira-se às secretárias como assistentes". Eu mesma era assistente. Só percebi que na verdade era secretária, um mês antes de ser demitida, mesmo assim, na minha carteira de trabalho está escrito "Coordenadora de Pesquisa". Com salário não compatível com o cargo, obviamente. Mas nem deveria. Eu só fiz cagada em tal posto. Apaguei HD sem querer, quase dei prejuízo de milhares de reais à empresa, sem querer. Chegava atrasada, sem querer. Ia trabalhar, sem querer. Ela não tinha "empregados" e sim "colaboradores". Um must! E se referia às pessoas como classe A1, B2, C1. "Tadinha, classe C1 é assim mesmo...".

Deixa eu ver se aprendi alguma coisa com ela:

Lixeiro = "Colaborador ambiental"
Costureira = "Personal Fashion Remake"
Diarréia, vômito e ressaca = "Indisposição"
Imbecil = "Querida"
Imbecil, vá pra puta que te pariu = "Querida, você poderia me passar para a sua supervisora?"
Tô cagando e andando pra vc = "Seeeei...Entendo per-fei-ta-men-te"
Velhinho aposentado que paga contas no banco pra não pegar fila e ainda ganha algum = " Office - Old Man"
Molequinho filho da puta = "Criança vivaz"
Trombadinha = "Criança carente"
Ex-namorada do namorado: "Qual o nome daquela mocINHA simpática mesmo?"

Tô indo bem, gente?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saga da máquina pública

Estava um posso de serenidade, uma coisa fofa de Deus. Mas desci da minha nuvem rosa e peguei um busão até Aviãocity. Pra dar uma passadinha na 1a Vara do Ilmo. Sr Juiz Zé Pindolinha da Comarca de Aviãocity.

Estou com uns unhão vermeio. Chegando lá, para pedir vista do processo judicial que determinou a PENHORA da minha conta bancária, já comecei a sentir um comichão. Às vezes sofro por viver no tal "Estado de Direito". Uma vontade de sair dando unhada na cara de cada funcionário sorridente daquela Vara. Com todo o respeito aos poucos funcionários públicos empenhados desse Brasilzão, toda vez que eu visitei repartições públicas era só alegria. O povo se diverte o dia inteiro e vc fica lá com cara de bosta para ser atendido. Unhada na cara já!

Aí a pérola da tarde: estou sendo processada pela mesma coisa, mas por duas Varas de Zés Pindolinhas diferentes. Tudo por que não parece existir lá muita comunicação entre os orgãos públicos. Aí terei que nomear um advogado (calafrios), provavelmente um daqueles que estudam na Uniboçal de Aviãocity. Vou ter que ensiná-lo a escrever direito, pro infeliz ir tirar uma xerox numa Vara e anexar no processo da outra e protocolar umas duas petições. E esperar mais um pouco...

Nossa...deu uma vontade de cantar o hino nacional...dá licença...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Devaneios

Huuum...
Primeiramente, sobre o link anterior, esqueçam... nada de padrões.

Na cozinha, com o "homem" da casa. Que, obviamente, diz amém pras três insanas sem nada questionar. Cheguei à conclusão de que o que mais tenho lido nos últimos 3 anos ou maaaais, são legendas. De seriados. É sim. E não tenho vergonha disso. Me irrito às vezes, quando não passo num concurso ou algo assim, mas eu a-do-ro coisas que esvaziam o hipotálamo, como diz uma amiga.

A-do-ro aquele programa do leilão de jóias de madrugada.
A-do-ro as novelas estranhas da Record.
Quase liguei pro Fala que Eu te Escuto e NÃO estava deprimida. Apenas queria participar da discussão sobre prostitução. Juro que tenho o número gravado na agenda do celular.

Minha mãe, quando eu era pequena, dizia que nós somos uma família de intelectuais. Sinto muito mamis, não somos. Corri atrás disso durante um certo tempo, depois parei. A frustração era muito grande.
Uma vez, um amigo disse que sou uma intelectual orgânica (Gramsci). Nunca li Gramsci mas agora posso até fazer referência. Eu gostei do que ele falou. Pelo que entendi, o intelectual orgânico é aquele que reflete sobre algo quando envolvido cotidianamente com ele. Então é isso que faço.

Eu gosto de reparar no mundo. E gosto de falar sobre a vida. Esse é o meu talento.
Agora, como encher o rabo de dinheiro fazendo isso? Estrelando um programa de fofocas?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Freudão me fez "peitinho"

Desacreditei.

Hoje foi um dia em que precisei conversar com um psicanalista. Isso mesmo. No caso, uma PSICANALISTA.

Aqui, voando pelas asas, até que agradáveis, das minhas férias, tive um chá de "racionalismo". Tava assistindo a uma série chamada "In treatment", que é bem legal. Os episódios são sessões de análise. E o desenrolar das histórias está ficando bem interessante. Mas vamos ao que "pegou". Um episódio em que o terapeuta conversava com sua supervisora sobre a traição da esposa, a transferência erótica de uma paciente e o caso de um cara que havia decidido divorciar-se depois de flagrar a companheira com bruxismo. Não vou me estender muito, mas eles chegaram à vivência de um padrão comum a todos os personagens em questão. Pesado o negócio. Odeio esses padrões. E acho que eles são é muito reais. Comecei a procurar loucamente padrões em minha vida. Encontrei alguns, não sei se estou certa, mas...vou ter que digerir essa sozinha mesmo.
Mas o melhor foi conversando com a Dona Psiquiatra. Ela é precisa: é médica pra mim, é psicanalista para um grupo seleto. Me aproveitei e pedi uma consultoria. Em dez minutos ela me explicou um pouco melhor o que era isso.

Porque o que me intrigou foi o seguinte:

Pelo que eu entendi do negócio, na infância, onde há a estruturação da personalidade, um evento frustrante ou traumático, pode sugerir um padrão de repetição na vida adulta, talvez para a elaboração e/ou superação deste mesmo evento. Ia usar um exemplo punk, mas não vou porque seria uma piadinha daquelas de te mandar pro inferno cristão.

A minha dúvida era se, um evento desse tipo na vida adulta desencadearia reação semelhante.

Ortodoxa que é, a Dona Psiquiatra disse categoricamente que não. Que os eventos assumiriam outra roupagem, com a mesma dinâmica. Achei bastante determinista. Porque comecei a pensar que esses padrões poderiam não ter absolutamente nada a ver com o "pipi do papai" (não vem ao caso os créditos para essa expressão). Deu nó.

Por fim, perguntei, depois de aceitar essa visão bastante hermética, porém respeitando-a:

- E o amor Doc? Existe?

Porque se tudo gira em torno do pinto, o que são os sentimentos?

A doc disse que sim. Então beleza.

Aceito palpites de bom grado. Mas manerem aí, por favor...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sendo "mais" mulher

Nem sei por onde começar...
Vivemos nos tempos "Eu vô batê uma siririca e vô gozá na sua cara!" (Tati Quebra-Barraco).Vivemos nos tempos da afloração de um suposto desejo, empanturrados de sex-shops, orgias, encontros casuais, compêndios de sexo. Somos incessantemente bombardeados por isso. Ok, não me filiei à liga juvenil da castidade. Mas é que hoje fiquei cho-ca-da!
Descobri que "existem" SEIS tipos de orgasmos femininos. E fiquei triste por todos nós. É a ditadura do orgasmo! Temos que gozar o tempo inteeeeiro gente! Tenho a impressão que DEFINITIVAMENTE vivemos num tempo meio cocainado. Temos que estar com um corpo disposto, saudável, producente, dócil e ainda por cima gozar pra caralho! Entendo a revolta pela displicência em relação ao prazer feminino, mas isso é torturante.

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Na cozinha. Não com a grosseirona.
- E essa história aí de orgasmos múltiplos, você já teve?
- Ih...isso aí é mentira...é coisa pra vender revista feminina.
- Também acho. Hoje descobri que existem seis tipos de orgasmos diferentes.
- Putz...
Cara de "tamo fodida".
- Mas eu já tive orgasmo múltiplo.
- Me conta! Qual a sensação?
- Ah, é uma daquela só que mais demorado...
- Huuum...então eu também já tive.

Mas pensando melhor, se essa história de seis orgasmos tem procedência, então eu não tive não.

Teria tido é um infarto. Imagina ter gozado com os peitos, com o cu, com a xana, com o clitóris , com o cérebro e com sei lá mais o que, tipo, a sola do pé? Tudo ao mesmo tempo?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Novas da gosseirona

Ah, a grosseirona, aquela que Deus não deu asa porque sabe o que faz, rendeu mais um bom post.
Na cozinha. Novamente falando sobre relacionamentos:
- Aí ele me perguntou se tava tudo bem com o fato de ele levar a moça lá.
- E tava?
- Tava. Ele perguntou se eu me senti mal. Usei a analogia do pinguim lilás para explicar. Já te falei sobre o pinguim lilás?
- Não.
- Imagina se você visse um pinguim lilás. Você iria bater nele? Você iria matá-lo? Não. Você diria "Noooossa! Um pinguim lilás!". Sacou?

Deus deu asa pra pinguim? E para os lilases?

terça-feira, 8 de junho de 2010

A maldição dos feromonios


Ter útero é um negócio bem maluco, todos sabemos, tendo ou não. Agora, ter feromonios é algo mais doidão ainda, o que me leva a algumas reflexões.

Como fruto da cultura contemporânea, onde a instituição da família nuclear e do casamento é um tanto falida, o que chamo de "Lar" é um apartamento ocupado por três minas e um cara. Meu avô não entende até hoje como isso é possível. Desisitimos de explicar e dissemos que o rapaz, quase um Lord, é gay. Aí ele também ficou preocupado, pois ele acha que gays são perigosos, mas não mais perigosos que um macho viril e comedor. Então tudo certo.

Demorou, mas parece que nosso ciclo menstrual finalmente está se sincronizando. Para quem não sabe, isso é muito comum de acontecer quando um grupo de mulheres convive juntas por muito tempo. Imaginem um convento, um prostíbulo ou uma sala de professoras do ensino infantil. Deveria haver uma semana de licença-TPM.

Agora, o que me deixa com a pulga atrás da orelha é o seguinte: a liberação de feromonios e sincronização dos ciclos se dá para que todas as fêmeas de um grupo ou local estejam férteis no mesmo período, para que o macho, se único, acasale o máximo possível.

Ô dona Mãe Natureza! A senhora tá perdendo o critério! Eu não quero dar para o Gustavo, porra!



terça-feira, 1 de junho de 2010

Precursora da Julia

Sabem a Julia? Aquela que povoa mil histórias eróticas em livretinhos baratos, escritos por homens, que existem há uns cinquenta anos? Tem também Sabrina, Laura e afins...Toda leitora brasileira de Julia é fã do Wando. Batata!

Descobri quem é a precursora da Julia: a Lady Chatterley.
Tenho cá comigo um livro de contos eróticos. Nele encontra-se um texto de D. H. Lawrence. Cheio de floreamentos, o organizador do livro diz que ele foi acusado de pornografia, lá pela década de 1940 e que as primeiras edições do livro "O amante de Lady Chatterley" foram censuradas. Ele diz também que Lawrence é também um dos maiores expoentes da literatura inglesa. Se isso for verdade, então estamos fodidos.
Lady Chatterley é uma burguesa entediada, casada com um herdeiro da nobreza britânica que voltou da guerra paraplégico e com a pindola em modo off-line. E quer dar!
Mas até ela dar gostoso, é tanta ladainha, que eu não entendo porque é que passei da metade do livro. "As pereiras e as ameixeiras haviam florescido inesperadamente e uma brancura maravilhosa irrompia aqui e ali". Tô começando a ficar com raiva de tantas flores. "Dentes-de-leão", margaridas, quelidônias, jacintos, miosótis, aquilégias e muito mais, num só parágrafo. Na falta do que escrever, eis toda uma biodiversidade dos bosques ingleses, cadê os hormônios dessa gente?
Ah, sim, há momentos "luta-de-classes" neste engodo. A Lady Chaterlley finalmente encontra alguém pra dar, um guarda-caça do bosque privado de seu marido, protetor do que ainda resta dos tempos de uma sociedade estamental. E esse mesmo "protetor" é um homem desiludido com o mundo e com as pessoas, um membro comum da classe operária, porém "educadinho".
E ele é rude, gente! E ela adooora. E a classe operária soca na burguesia, que convive por conveniência e por falta de ímpeto para se rebelar contra a nobreza. E eu não sei o que tô fazendo com o livro na mão. Tô chegando no final e o papo furado não tem fim. Cheguei por um momento a me sentir Lady Chatterley, no que concerne à mesmice da existência. Com um abismo que nos separa, através da ficção e da quantidade de libras guardadas num banco, é claro. 
Faz mal pra cabeça. Não vou terminar de ler essa porra não.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amor Tucano

Mamis é muito afeita ao PSDB. Muito mesmo. Discutir política com ela é meio chato. Gosta tanto que...juro que essa história é verdade!

Na nossa tenra adolescência eu e minha querida irmã, Guaxinim, unimos forças contra a mamãe. Quebramos o pau com ela, sei lá porque, num dia à noite. Na manhã seguinte acordamos e...onde está mamãe?
Procuramos, esperamos, divagamos e nada. Cadê mamãe? Ela fugira de casa.

Próximo ao meio dia, liguei a TV.

- Achei a mamãe!

Ela estava atrás de Monalisa Perrone, cabisbaixa e vestida de negro, num flash ao vivo da Assembléia Legislativa...onde o corpo de MÁRIO COVAS estava sendo velado...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Caminho do meio

Há tempos gostaria de me desfazer de meus remedinhos. Remedinhos estes que são uma formidável muleta para a torturante vida contemporânea.A dona Psiquiatra, afeita ao "8 ou 80", sempre me perguntava: "Você está bem?". E eu sempre penso que, apesar de tudo, estou bem. Mas oscilo bastante, oscilação essa que é um dos motivos para a tal medicação.

Há cerca de seis meses, ou mais, estou ponderando se é hora de parar.E em todo esse tempo, conclui que sim todas às vezes em que refleti sobre a questão. Mas tinha medo! Agora, continuo com medo, porém acredito que já passou da hora. Eu acho que sou assim mesmo...é preciso me harmonizar com meu gênio! O que era patológico, já se foi.

Me proponho agora a lutar contra a "Insatisfação crônica". Assistindo hoje a um documentário qualquer de auto-ajuda, que flutuava pelas ondas da TV digital, algumas coisas parecem que ficaram um pouco mais claras:

- Estou ficando mais velha e mais serena. Mas engolindo menos sapos
- Acredito, após as minhas experiências, que chegamos exatamente onde queremos (nós burgueses, claro!na pobreza isso é exceção)
- Estou mais otimista quanto ao que se chama de felicidade. Começo a aceitar, até com certa alegria, as regularidades cotidianas
- Ainda (!) acredito que o amor existe, mesmo não sabendo o que é, tipo... Deus
- Cada vez mais guardo menos rancor, tudo é expressado rapidamente
- Entrego o destino , como diz minha bisavó, "Deus provê, fia..."

E acho estranho que essa novas resoluções estejam completamente alinhadas com os discursos de auto-ajuda que de vez em quando ouço por aí.
E mais estranho, a quantidade de horas que passo bebendo café e fumando, na cozinha, com as pernas inquietas.

Mesmo assim, vou parar com a medicação.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Loucura alheia

Nunca fui afeita a paranóias. Essa coisa de "segurança" da cidade grande me enoja. Portões altos, cercas elétricas, seguranças e cães ferozes à guarda dos grandes condomínios, carros blindados.
Ostentação, desigualdade. Visibilidade.
Na internet sou uma voyeur de sites de relacionamentos. Houve uma época que pensei em me tornar detetive.
Sou uma anônima na rede, mas sei também que muita gente me reconhece. Porém, dentro do meu suposto anonimato, não ligo muito pra isso.
Até que, na semana passada, a campainha toca e dou de cara com um sujeito erotomaníaco que me persegue há pelo menos dez anos, com sua loucura secreta. Ele é sorrateiro, perverso e me sinto usada para satisfazer essa maluquice dele. Tenho a impressão de que nada tenho a ver com ela, o rapaz me pegou como bode expiatório para algo que já existia dentro dele e que com os anos, parece ter se agravado. Tem o poder de deturpar tudo a favor do seu delírio. Se lesse isso, se é que já não leu, seria capaz de transformar este post numa "declaração de amor". Usando a desculpa das "entrelinhas", que não existem no caso. Está tudo muito claro. Eu nunca quis nada com ele e nunca vou querer. A única coisa que quero é que ele vá cuidar de sua vida e me deixe em paz.
Ele descobriu onde moro, sorrateiramente. E então comecei a sentir medo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Atraso mental

Numa conversa sobre sentimentos com uma grosseirona. Faço uma espécie de citação do Artaud. A única parte do livro que "entendi":
- Sabe, Fulana, "os sentimentos atrasam, as paixões atrasam, as instituições atrasam..."
- Pois é, também tô atrasada. Dá licença que eu vou tomar banho...


Deus não dá asa pra cobra.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre saudade

Há epócas que são correntes em sites de relacionamentos, e-mails e afins: "Ai, que saudade!". Trocentas mensagens seguidas de amigos diferentes, com um único assunto. Se tem uma coisa que estou lutando contra é o tal do saudosismo. Embora , no geral, sejamos apegados às regularidades cotidianas, viver em função de algo que se foi, me parece assustador. Eu luto contra a sensação de falta sempre que posso. Destesto a sensação de vazio igualmente. A vida vai passando e um suposto rombo no peito por causa da tal saudade. 'Se foder, meu...
Um pouquinho de esforço pra encontrar quem gostamos não faz mal, pelo contrário. Eu me recuso a sentir falta de alguém, quanto mais saudades. Não que eu consiga não sentir...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fragmento

Fragmento de um conto que não terminei.


"Seu nome é sonoramente bonito. No entanto carrega consigo uma carga deveras pesada. A Eva bíblica que conduz um macho imbecil a fazer o que se deseja, figuradamente experimentar novos caminhos, mais prazerosos e excusos, atingidos através da degustação do fruto do conhecimento (e, portanto, proibido) é amaldiçoada e expulsa do paraíso por um deus machista e tirano. E ainda por cima, carrega a dor do parto consigo.
Mas, a tradução hebraica que chega perto de “Eva”, é também a que denota Vida. Portanto, não há vida humana sem malícia, que tenha graça. Por que antes de Eva comer o fruto proibido eles eram seres sem hormônios. É isso! O “conhecimento” citado na Bíblia, é uma injeção de hormônios! E de enzimas! Isso conferiu ânima aos humanos.
Eva gosta do tom subversivo que tem seu nome, porém crê que carrega consigo uma culpa inconsciente de foder um homem burro. Como a primeira Eva adquiriu o conhecimento e os hormônios primeiro, poderia ter deixado tudo por isso mesmo, fazendo com que Adão e sua descendência de machos, continuassem ignorantes e servindo cegamente as gerações posteriores de mulheres. Porém ainda, sentindo a dor do parto. Mas, tudo bem, afinal o mundo poderia ser bem mais organizado e talvez menos absurdo. E não seria necessário terem queimado sutiãs. Ou terem morrido em fogueiras, ou terem sido aprisionadas em campos de estupro. O pinto teria uma finalidade única. O pinto não teria essa posição freudiana totêmica. A maldição da psicanálise não teria nascido, nem o marxismo. Por que, segundo a Bíblia, enquanto a maldição proferida pelo deus tirano à mulher, eram as contrações uterinas, o homem foi praguejado com o trabalho. E sem o trabalho forçado não haveria a tal da luta de classes. Nem o colapso da civilização pós-moderna. Nem essa ladainha toda descrita neste parágrafo. Seria simplesmente...perfeito.
Andando em círculos novamente, esperando o que não vem, ensaiando uma partida que nunca irá acontecer, a agonia da existência pesa demais em dados momentos. Num dia destes teve uma síncope depressiva que veio simplesmente do nada, no meio de uma avenida movimentada, o que a fez arfar, quase parar de respirar.
Sentou-se num banco de um shopping, desejando ardentemente um sopro divino de ar nos pulmões. Enquanto pessoas passavam de cá pra lá, escondia tamanho sofrimento, resignada, sentindo-se ridícula por não exteriorizá-lo, parecendo assim querer passar-se por mártir, papel esse, o qual tinha verdadeiro horror.
Afinal, sua antepassada fora expulsa do paraíso e não poderia se rebaixar nunca à escravidão cristã do sofrimento, culpa e passividade. Não. Levante essa cabeça, vadia, pegue um ônibus e corra para casa, para se esconder desta cena de via crucis da mulher moderna."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Segundona com petição

Sou a favor de se resolver as coisas na porrada. Não entre desconhecidos no trânsito, no jogo de futebol ou na fila do banco. Sou a favor da porrada entre íntimos. Mas, claro, com muita ética. De igual pra igual (deve ser fácil porque sou grandona...). Mas, tem mais. Sou a favor da porrada pra resolver questões políticas. Uma vez um amigo disse: "Não vou ver o debate não... iria ser da hora se tivesse só um microfone no meio do cenário..."

Hoje vou aprender como fazer uma petição. Pelo que eu entendi, uma petição é um pedido escrito de uma forma bem rebuscada. No universo judiciário, creio eu, até pra mandar alguém pra puta que o pariu, é preciso redigir uma petição. "Excelentíssimo senhor doutor da casa do caralho, venho por meio desta solicitar encarecidamente que o sr. vá pra puta que te pariu. Sem mais."

Isso fere meus princípios!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Adventures

Depois da demissão sumária, sexta passada:

Segunda-feira fui almoçar sentindo calafrios de "liberdade". Passei o cartão de débito e...NÃO AUTORIZADO. Foi mal, pago depois e banco.
Extrato. BLOQUEIO JUDICIAL. Oi?
"Vá a primeira vara do sei lá o que."

Ao atendimento telefônico:
- Tem o número da Cda, do processo blábláblá, da Oe, da pqp?
- Não sei. não serve o do CPF, não?
- Não, tem que ser da Cda, do processo blábláblá, da Oe ou da pqp...
- E agora? Como é que eu vou saber disso?
- Tá, dá o número do CPF mesmo...

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No orgão credor:
- Pq vc não veio antes?
- Por que eu fico nervosa...
- É...sei...

*******

- Bloquearam sua conta? Por causa de mil reais?

********

- Esses dois mil reais cobrados aqui? Cagada do tribunal de justiça...

********

- Tem um processo seu na cidade de Marília.
- Como assim? eu liguei pra eles lá e pedi pra enviarem pra cá. Aliás, esse processo nem era da época em que eu morava naquelas bandas.
- E vc falou com eles?
- Falei
- Tsc,tsc,tsc...
- Viu, por que fico nervosa?

*********

- Você paga uma parcela e vai lá no tribunal de justiça protocolar uma petição.

______________________________________________________________

No tribunal de justiça:
(Atendente mascando chiclete e prestando muuuuita atenção...no celular.)

- Eu vim aqui protocolar uma petição.
- Ah tá. Fulano?

**********
- Bem, vc ou um advogado tem que digitar uma petição e encaminhar ao juiz.
- Legal, eu vou digitar. O que escrevo nela?
- Não posso dizer...
- ...

************
- Qual o número do processo?
- Sei lá, serve esse papelzinho?
Vai no computador, digita, digita, digita. Bate um papinho com a colega...
- Seu processo ainda não foi cadastrado.
- Não? Curioso que um juíz mandou bloquear a minha conta...como não estã cadastrado?
Vai no computador, digita, digita, digita. Bate um papinho com a colega...
Volta.
- Seu processo está na comarca da cidade de ...

Gargalhei. E é bom manter o bom humor porque essa merda só tá começando.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Os parafusos não são mais tão rígidos

Estou quase dormindo em cima do computador, o que é muito comum. Estou desenvolvendo ampla capacidade de desapego aos incômodos externos, ao cochilar no busão. No final de semana, durmo ao menos umas 10 horas seguidas. Em dia de semana, chega onze da noite, começa a me dar um faniquito, então, as noites são curtinhas. Sono sobra.
Estou aqui, faz uma semana, esperando a minha demissão por chegar atrasada todos os dias, sem exceção. Há 6 meses é assim e acho que a minha benevolente chefe percebeu algo de errado que vai além do trânsito. Hoje, mais uma vez, esperando o tal momento, quase desisti de vir. Algo como : "Vc e eu sabemos o que vai acontecer, vamos nos poupar de qualquer diálogo". Acordei atrasada e, como de costume, me atrasei novamente.
Porque simplesmente eu não consigo, ou não quero conseguir. Simplesmente acho estúpido todo mundo sair ao mesmo horário de casa pra fazer coisas que, hoje, a tecnologia permite fazer por acesso remoto. Aqui, temos exemplos de duas gerações distintas: a chefe, que é de uma geração onde o horário comercial funcionava e até assegurava alguns direitos dos trabalhadores e a minha, que vive no tempo de um aparente discurso de sustentabilidade, no qual esta dinâmica de se trabalhar não se encaixa. E o talento e criatividade de pequenos burgueses (sem panfletarismo) como eu, são completamente tolhidos quando emersos nesse quadro. Bem, o boy da contabilidade chegou, talvez seja a hora. Ainda hei de encontrar a alma penada do filho da puta que fragmentou o nosso tempo em três séries de oito horas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tenho a impressão de que o incerto, instável, nômade sempre exerceram atração fortíssima sobre mim. Um perigo. Agora que consegui a tão almejada estabilidade, estou a um passo de jogar tudo para o alto e começar de novo, em outro território. Sou fruto da cultura em que estou inserida, fragmentada e instantânea? Tenho transtorno bipolar? Sou uma rebelde bem comportada?

terça-feira, 16 de março de 2010

"Desvio"

Estou com o corpo dolorido. Pergunte-me porquê. Porque ontem, tive a ilusão da libertação. Ontem me senti meio desequilibrada, ontem senti algo que me parece pertinho da loucura. Mas eu gostei. Ontem o trânsito estava completamente travado. Ninguém se mexia. Então me "recusei" a participar daquilo. Voltei do trabalho caminhando até em casa. Foram uns nove kilometros. De paisagens belas, escondidas na cidade bruta. De um cheiro do impossível verde em avenidas movimentadas. Do vento que revolvia meus cabelos e refrescava minha cuca, trazendo bons pensamentos. Estava eufórica. Inspirada. Cheguei em casa pensando que iria cair dura, mas não! Estava eufórica...Pensei em fazer isso ao menos duas vezes por semana.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tempo de mulher

Bem, semaninha do Dia Internacional da Mulher, eu como militante enrustida não poderia deixar passar.

Tava assistindo ao Big Brother, as participantes ganham um bouquet de lindas flores, choram, vibram e deparam-se com a pergunta do apresentador:
- Por que é comemorado o Dia Internacional da Mulher ?
- Por que somos lindas!
- Maravilhosas!
- Fantásticas!

É...não contenho um sorrisinho quando ouço esse tipo de coisa. Como o próprio apresentador disse, o BBB é um programa "educativo e cultural" - quando fazia uma espécie de quizz a respeito de paredões. Então soltou a informação sobre um 8 de março, em que umas cem operárias de New York foram trancafiadas durante uma manifestação e depois a polícia ateou fogo na fábrica onde elas estavam. Morreram. As participantes do programa se emocionaram, com um olhar de orgulho, sei lá do que.

Agora o gancho pra mim: nascemos protegendo nossos orifícios muito bem, desde pequenas. Às vezes protegemos tanto, que esquecemos onde eles e seu conjunto estão. Aprendemos direitinho a nos autossabotar através de máximas como a tal da "competição feminina". Sabotamos nossa vagina também, com uma série de produtos, que como diz o moço esguio, servem pra dá-la qualquer cheiro, menos o dela mesma. São sabonetes íntimos, lenços umedecidos, absorventes que "neutralizam odores", protetores diários de calcinha, fora os produtos de sex shop. Pomadinha, calcinha comestível, gelzinho, etc.

Calcinhas de renda insalubres, sutiãs que causam dores nas costas, jeans apertados, saltos muito altos, torturas que substituíram os espartilhos e cintos de castidade. Qual o limite desta estética que deveria ser para nós mesmas? A propaganda de loja de departamento já diz: "É tempo de mulher..." e é bom ir correndo pois senão podemos perder "nossos" homens!
Estudamos mais, ganhamos menos e já é um pouco mais raro reduzir uma centena de mulheres e queimá-las vivas. Mas a violência doméstica, os estupros, o assédio moral, continuam super presentes, tão presentes quanto a Lei Maria da Penha.
No clipe sobre as participantes do BBB e "seu" dia, apenas seu lado mais "sensual" era mostrado (se é que é possível mostrar outra coisa também, eu acompanho o programa e realmente não vi nada útil). Enquanto isso, essas três mulheres, comemoravam algo que elas sequer sabiam a razão de existir.
Pelo visto, obviamente ainda temos infinitas causas a lutar. E o fato do dia 08/03 ter se transformado numa mera data de presentes e flores, sem nenhuma reflexão torna esse próprio fato, alvo de problematização. Parece mais uma oportunidade de nos calar e docilizar. Sem teoria da conspiração.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Outra coisa

Me parece que os homens, no geral, tem uma cultura de não exprimir, aberta e claramente, seus sentimentos mais íntimos. Acho isso triste. Prefiro a fama de doida varrida, cunhada por esses mesmos machistinhas...

Uma coisa

Se eu pego a mulher da voz do elevador...amordaço ela e a deixo dentro dele um dia inteiro...Só pra ela trocar de profissão.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

No busão 2

Em São Paulo, algumas coisas muito loucas são absorvidas como corriqueiras.
Choveu. De novo. Normal. Só que ninguém entendeu isso ainda. Clima tropical de altitude, com verões úmidos e invernos secos. Terreno geológico antigo, rochoso, o que dificulta ainda mais a permeabilidade do solo. Não fosse o mar de concreto, tudo bem. Não fosse a canalização de rios e córregos, tudo bem. Não fosse a quantidade de lixo produzido pelos habitantes, tudo bem também.
E pra dar jeito nessa porra?...

Vão vendo...as pessoas vão se afetando e nem percebem. Deu seis da tarde. Saí do trampo respirando fundo e tentando manter uma certa serenidade. Chuva é chuva, oras! O resto é que é o problema. Entro no busão. Assim que ele deixa o ponto, cheio, raspa no tronco de uma grande árvore, que cai. Isso aí. Caiu em cima do busão e bloqueou metade da avenida 'pans'. "Alguém se machucou?". Não. Vambora então. Quem ficou pra trás se fodeu.

O banco das comentaristas. Que refletem sobre a catástrofe ambiental da cidade e se orgulham de separar o lixo. Que, provavelmente, nem sabem aonde vai parar. O que é feito com ele. Não prestam atenção na quantidade que produzem. Comentário final: "Ainda bem que o nosso ônibus passou da árvore". Sentadas nos bancos especiais. Adoro esse tipo de paulistano. Ainda vão me causar um AVC.

Mas, o que foi a queda de uma árvore, perto do que estava por vir? Depois de uns 40 minutos, pra percorrer uns três pontos...

O busão era daqueles sanfonados pra transportar bastante gado. Eu tava na boiada dos fundos. Ouvimos uma gritaria e o ônibus parou por alguns poucos minutos no ponto. Vi uma garota pequena, lépida e arranhada vindo em nossa direção. Atrás dela, uma moça determinada. A (continuar a) dar porrada nela.

A lépida é tinhosa. Enquanto a determinada a xinga de vadia pra baixo e a ameaça com a possibilidade de um b.o., ela ri debochada e a chama de louca. Determinada vai pra cima dela de novo. Um japa solicito entra no meio e toma arranhada também. Um gordão sai do fundão e começa a dar uns gritos, o que acalma as inflamadas.

Lépida desce e alguém segura determinada para o pior não acontecer. Determinada diz: "Marquei bem a tua cara, sua vadia!". Adoro quem marca a cara dos outros! Quanta potência! Alguém comenta lá no fundão: "Mano, a mina apanhou pra caralho!". Gargalhadas coletivas. O gordão volta pro lugar, todo bonitão: "Alguém tem que segurar essas mulhé".

Determinada, como se nada tivesse acontecido, puxa um espelhinho da bolsa e começa a retocar as avarias sofridas. A chapinha, impecável, mesmo com os puxões de cabelo.

Provavelmente as duas se encontrarão, casualmente, num kilão do bairro, num ponto de ônibus, ou num happy hour...

Pensei que, puta que pariu, mal começou a viagem, coméqueisso vai acabar...muito medo.
Mas 15 minutos depois, ninguém mais se lembrava disso. Por que chover é uma catástrofe absurda, mas isso...bem, isso é normal...

"Nunca diga: isso é natural (...)"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

No busão

Pra ir ao trabalho pego um busão bem cheio. Argh! E, para complementar o que pode-se chamar de "ritualzinho matinal do paulistano comum", vou ouvindo o noticiário no rádio. Sabe que isso me dá um prazer muito grande?Ouviria AM, mas não pega. Heródoto Barbeiro, você é meu grande companheiro e nem sabe disso...e eu até rio das suas piadinhas...
Na sessão compulsória de alongamentos em barras do coletivo, que poderia ser incluída nos planos de ginástica laboral das empresas, ouvi a coluna de Gilberto Dimenstein, que particularmente não me agrada nada. No entanto ele dizia sobre um relatório realizado pela fundação Victor Civita intitulado "Atratividade da Carreira Docente no Brasil".
Resultados óbvios: Menos de 2% dos estudantes ingressariam em cursos superiores de licenciatura. Entre alunos das escolas particulares, o número beira a zero.
Fiz um curso de licenciatura. Na época notava o seguinte: dentro da universidade pública o perfil socioeconômico dos alunos destes cursos eram bem inferiores aos de classe média alta das carreiras mais tradicionais e que "perpetuam" a dinâmica do giro de capital que se encerra nesta mesma classe.
Tinha e tenho a nítida impressão de que a maioria dos alunos entravam em licenciatura por não conseguirem ingressar em outro curso de sua escolha, mais concorrido e "garfado" pelos que receberam uma educação mais "adequada", pelo menos adequada ao concurso vestibular.
A coisa começa daí. Percebi ao longo do tempo e da minha antiga carreira, que a própria formação cultural de base dos professores já é deficiente. Em algumas escolas de classe AAA, professores podem tirar licenças para viagens e cursos que contribuam com sua formação contínua. Esses mesmos professores, são aqueles que provavelmente estudaram nesta mesma escola e por essa razão (e claro, por sua competência) , foram aceitos lá. É o caso, por exemplo, do Porto Seguro, Santa Cruz, Arquidiocesano, etc.
Na sala de aula de colégios particulares AA, vi o conflito da deficiência da minha própria educação versus a de meus alunos. Falava de coisas que nunca tinha visto pessoalmente, como por exemplo, as catedrais góticas e as obras da Renascença. Coisas estas que eles, desde meninos, já conheciam por conta de suas viagens internacionais. Me sentia muito mal. Às vezes até mentia que já tinha ido, visto, etc...
Ainda não saí do país, mal saí do Estado de São Paulo e arranho no espanhol. Minha formação continua deficiente, por mais que agora eu saiba procurar.
Num outro extremo, percebia na escola pública, que aqueles alunos considerados "brilhantes" (por fazerem a lição de casa direitinho), nadavam num oceano com boinhas de braço, sem direção. Nadavam até certo ponto, depois morriam na praia. Enquanto morrem na praia, os meninos da classe A triunfam.
Mudei de área. Desde que me formei, já queria mudar de área. Pulei fora. Embora o convivio com os meninos fosse bastante gratificante e divertido, ou não me sentia capaz de continuar, ou me sentia desvalorizada demais. Agora sirvo ao grande capital. De vez em quando tenho insônia, mas meus tempos panfletários se foram. Acredito na micropolítica. Às vezes acho que, finalmente, me "rendi". E também acho que trabalho tanto para , finalmente, ver as coisas que nunca vi. Todas elas!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Breve história sobre meu sono na vida adulta

Começou com um colchãozinho doado por algum desconhecido. Que parecia daqueles de pet shop, só que mais surrado ainda. Durou um ano ou mais, nem me lembro e tenho a impressão de que ele foi sendo substituído e nem percebi. E nem fazia diferença.
Depois herdei um de casal, também surrado, até mesmo mijado (inclusive por mim, numa situação que não cabe lembrar...), mas foi alí que eu descobri o valor de um bom colchão. Minha vida nunca mais foi a mesma.
Mudei de cidade e de colchão novamente, buscando pelo meu oásis noturno. Achei que o tinha encontrado, mas não.
Mudei de cidade de novo e de novo. A cada cidade, um colchão. Detalhe: SEMPRE DE SOLTEIRO.
O máximo que já consegui compartilhar foi o de um de 88cm, o atual, mesmo assim já achava demais.

Sono é algo sagrado pra mim. Hora de dormir é hora de dormir.

Até que um dia, deparo com alguém esguio ao meu lado, que em nada me incomodava.

E então resolvi algo inédito comprei uma cama maior. É isso mesmo: comprei uma cama maior.

E isso não é tão simples assim.

Ter comprado uma cama maior significa que esse alguém esguio entrou com toda força na minha vida.

Escrevo em caracteres minúsculos, pois isso é quaaaase um segredo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Procurando por uma atividade física. Karatê? Adoro, mas é pesado. Pilates? Negócio que ninguém sabe direito o que é. Yoga? Tranquilo demais, é preciso um pouco de transpiração. Natação? Caro.

Mas, tudo isso porque?

Me causa calafrios pensar que essa procura advém de uma necessidade de eu ter um condicionamento físico apropriado para a disciplina do meu corpo. Para deixá-lo rígido, preciso, resistente e bem disposto. Só para conseguir enfrentar com vigor físico o mundo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

E-mail para um antigo amigo

"Querido F... ,

Estes dias estava a lembrar das caminhadas no nosso primeiro ano, naquela D. Antonio ao sol do meio dia e você, apontando para o céu, a acusar o "Hélio" por aquele martírio. Foi quando eu descobri, que ser careca siginificava queimar o couro cabeludo e vc me foi muito solidário naquele momento. Lembrei também, do seu comentário da mão invisível do Adam Smith, que fica cutucando o nosso cu, sem que a gente perceba. Deste comentário nunca vou me esquecer e sempre faço referência à fonte, independente do interlocutor. As mãos invisíveis não são só as do Adam Smith e do mercado, são muitas outras e até anônimas. Me alivia, neste mundo cheio de dedos, reencontrar você, meu amigo querido. Bjs."

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Beijo terno de despedida 2

Tristeza mata. Em especial os velhinhos.
A tia Zinha era nossa tia solteirona nonagenária. Arretada. Afiada. No culto de corpo presente, o pastor dizia que ela era muito tranqüila, gentil, afável. Mentira. Parecia que ele estava falando de outra pessoa. Tava na cara que ele mal a conhecia. Ela chegava a ser grosseira. E isso era o máximo! Essa era a graça. A espontaneidade da bichinha. Num dia, ao telefone:
- Oi tia, tudo bem?
- Quem é?
- A (meu nome).
- Quem?
- A (...). A grandona do (meu pai).
- Aaahh...o que você quer, vocês nunca ligam!
- Só queria dar um oi.
- Hum, tá bom...

Desligou.

E quando a gente se encontrava era só risada. Era uma ironia, até mesmo ingênua, que só quem tem mais de 65 possui. Era uma existência, que aos padrões convencionais, poderia ser tachada de problemática. Pra mim ela beirava a subversão. As duas eram personagens, eram caricaturas vivas.
A casa delas na Mooca congregava toda a família. Era uma façanha. Só elas conseguiam isso. No velório, uma sobrinha muito emocionada suplicava: "A Mooca não pode acabar!".
De fato. Com as tias talvez se foram também os almoços regados a vinho e macarrões dos mais diversos tipos, com mais de quarenta pessoas. Incrível!

A tia não agüentou ficar sozinha na casa enorme em que viveu com a irmã, por pelo menos uns trinta anos. Ela ficou viúva. E optou por acompanhar sua cara-metade no paraíso em que acreditou por toda a vida. Morreu cerca de dois meses depois da tia Irma. Risos no céu!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mergulho

Aí vem aquela bola gigante do Indiana Jones rolando, rolando atrás de mim. E então me lembro daquela segunda-feira, fora do espaço-tempo, em que mergulhava numa praia semi-deserta, com uma água de mar verde e que, quando subi à superfície, encontrei teus olhos azuis e o tempo parou. Parou de fazer rir à toa, enquanto o "mundo lá fora" se acabava. E então fico calma de novo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Passando o tempo

O elevador de onde eu trabalho é nosso inimigo.
Ele tenta matar a gente, talvez para equilibrar um pouco as taxas de crescimento vegetativo da população. Quando se está saindo, uma vaciladinha e a porta já vai se fechando. E ele fala também, com voz suave, de aeromoça: "Favor liberar a porta".
Ele persegue os fumantes. Quando fumo um cigarrinho e entro nele, vem a voz de novo: "Não fume no elevador". Será que ele sente cheiros?
Talvez, ainda, adivinhe o ódio que alguns nutrem por ele. Tem a cara de pau de dizer: "Cuide bem do elevador".

Mundo estranho da porra...