segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amor Tucano

Mamis é muito afeita ao PSDB. Muito mesmo. Discutir política com ela é meio chato. Gosta tanto que...juro que essa história é verdade!

Na nossa tenra adolescência eu e minha querida irmã, Guaxinim, unimos forças contra a mamãe. Quebramos o pau com ela, sei lá porque, num dia à noite. Na manhã seguinte acordamos e...onde está mamãe?
Procuramos, esperamos, divagamos e nada. Cadê mamãe? Ela fugira de casa.

Próximo ao meio dia, liguei a TV.

- Achei a mamãe!

Ela estava atrás de Monalisa Perrone, cabisbaixa e vestida de negro, num flash ao vivo da Assembléia Legislativa...onde o corpo de MÁRIO COVAS estava sendo velado...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Caminho do meio

Há tempos gostaria de me desfazer de meus remedinhos. Remedinhos estes que são uma formidável muleta para a torturante vida contemporânea.A dona Psiquiatra, afeita ao "8 ou 80", sempre me perguntava: "Você está bem?". E eu sempre penso que, apesar de tudo, estou bem. Mas oscilo bastante, oscilação essa que é um dos motivos para a tal medicação.

Há cerca de seis meses, ou mais, estou ponderando se é hora de parar.E em todo esse tempo, conclui que sim todas às vezes em que refleti sobre a questão. Mas tinha medo! Agora, continuo com medo, porém acredito que já passou da hora. Eu acho que sou assim mesmo...é preciso me harmonizar com meu gênio! O que era patológico, já se foi.

Me proponho agora a lutar contra a "Insatisfação crônica". Assistindo hoje a um documentário qualquer de auto-ajuda, que flutuava pelas ondas da TV digital, algumas coisas parecem que ficaram um pouco mais claras:

- Estou ficando mais velha e mais serena. Mas engolindo menos sapos
- Acredito, após as minhas experiências, que chegamos exatamente onde queremos (nós burgueses, claro!na pobreza isso é exceção)
- Estou mais otimista quanto ao que se chama de felicidade. Começo a aceitar, até com certa alegria, as regularidades cotidianas
- Ainda (!) acredito que o amor existe, mesmo não sabendo o que é, tipo... Deus
- Cada vez mais guardo menos rancor, tudo é expressado rapidamente
- Entrego o destino , como diz minha bisavó, "Deus provê, fia..."

E acho estranho que essa novas resoluções estejam completamente alinhadas com os discursos de auto-ajuda que de vez em quando ouço por aí.
E mais estranho, a quantidade de horas que passo bebendo café e fumando, na cozinha, com as pernas inquietas.

Mesmo assim, vou parar com a medicação.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Loucura alheia

Nunca fui afeita a paranóias. Essa coisa de "segurança" da cidade grande me enoja. Portões altos, cercas elétricas, seguranças e cães ferozes à guarda dos grandes condomínios, carros blindados.
Ostentação, desigualdade. Visibilidade.
Na internet sou uma voyeur de sites de relacionamentos. Houve uma época que pensei em me tornar detetive.
Sou uma anônima na rede, mas sei também que muita gente me reconhece. Porém, dentro do meu suposto anonimato, não ligo muito pra isso.
Até que, na semana passada, a campainha toca e dou de cara com um sujeito erotomaníaco que me persegue há pelo menos dez anos, com sua loucura secreta. Ele é sorrateiro, perverso e me sinto usada para satisfazer essa maluquice dele. Tenho a impressão de que nada tenho a ver com ela, o rapaz me pegou como bode expiatório para algo que já existia dentro dele e que com os anos, parece ter se agravado. Tem o poder de deturpar tudo a favor do seu delírio. Se lesse isso, se é que já não leu, seria capaz de transformar este post numa "declaração de amor". Usando a desculpa das "entrelinhas", que não existem no caso. Está tudo muito claro. Eu nunca quis nada com ele e nunca vou querer. A única coisa que quero é que ele vá cuidar de sua vida e me deixe em paz.
Ele descobriu onde moro, sorrateiramente. E então comecei a sentir medo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Atraso mental

Numa conversa sobre sentimentos com uma grosseirona. Faço uma espécie de citação do Artaud. A única parte do livro que "entendi":
- Sabe, Fulana, "os sentimentos atrasam, as paixões atrasam, as instituições atrasam..."
- Pois é, também tô atrasada. Dá licença que eu vou tomar banho...


Deus não dá asa pra cobra.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre saudade

Há epócas que são correntes em sites de relacionamentos, e-mails e afins: "Ai, que saudade!". Trocentas mensagens seguidas de amigos diferentes, com um único assunto. Se tem uma coisa que estou lutando contra é o tal do saudosismo. Embora , no geral, sejamos apegados às regularidades cotidianas, viver em função de algo que se foi, me parece assustador. Eu luto contra a sensação de falta sempre que posso. Destesto a sensação de vazio igualmente. A vida vai passando e um suposto rombo no peito por causa da tal saudade. 'Se foder, meu...
Um pouquinho de esforço pra encontrar quem gostamos não faz mal, pelo contrário. Eu me recuso a sentir falta de alguém, quanto mais saudades. Não que eu consiga não sentir...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fragmento

Fragmento de um conto que não terminei.


"Seu nome é sonoramente bonito. No entanto carrega consigo uma carga deveras pesada. A Eva bíblica que conduz um macho imbecil a fazer o que se deseja, figuradamente experimentar novos caminhos, mais prazerosos e excusos, atingidos através da degustação do fruto do conhecimento (e, portanto, proibido) é amaldiçoada e expulsa do paraíso por um deus machista e tirano. E ainda por cima, carrega a dor do parto consigo.
Mas, a tradução hebraica que chega perto de “Eva”, é também a que denota Vida. Portanto, não há vida humana sem malícia, que tenha graça. Por que antes de Eva comer o fruto proibido eles eram seres sem hormônios. É isso! O “conhecimento” citado na Bíblia, é uma injeção de hormônios! E de enzimas! Isso conferiu ânima aos humanos.
Eva gosta do tom subversivo que tem seu nome, porém crê que carrega consigo uma culpa inconsciente de foder um homem burro. Como a primeira Eva adquiriu o conhecimento e os hormônios primeiro, poderia ter deixado tudo por isso mesmo, fazendo com que Adão e sua descendência de machos, continuassem ignorantes e servindo cegamente as gerações posteriores de mulheres. Porém ainda, sentindo a dor do parto. Mas, tudo bem, afinal o mundo poderia ser bem mais organizado e talvez menos absurdo. E não seria necessário terem queimado sutiãs. Ou terem morrido em fogueiras, ou terem sido aprisionadas em campos de estupro. O pinto teria uma finalidade única. O pinto não teria essa posição freudiana totêmica. A maldição da psicanálise não teria nascido, nem o marxismo. Por que, segundo a Bíblia, enquanto a maldição proferida pelo deus tirano à mulher, eram as contrações uterinas, o homem foi praguejado com o trabalho. E sem o trabalho forçado não haveria a tal da luta de classes. Nem o colapso da civilização pós-moderna. Nem essa ladainha toda descrita neste parágrafo. Seria simplesmente...perfeito.
Andando em círculos novamente, esperando o que não vem, ensaiando uma partida que nunca irá acontecer, a agonia da existência pesa demais em dados momentos. Num dia destes teve uma síncope depressiva que veio simplesmente do nada, no meio de uma avenida movimentada, o que a fez arfar, quase parar de respirar.
Sentou-se num banco de um shopping, desejando ardentemente um sopro divino de ar nos pulmões. Enquanto pessoas passavam de cá pra lá, escondia tamanho sofrimento, resignada, sentindo-se ridícula por não exteriorizá-lo, parecendo assim querer passar-se por mártir, papel esse, o qual tinha verdadeiro horror.
Afinal, sua antepassada fora expulsa do paraíso e não poderia se rebaixar nunca à escravidão cristã do sofrimento, culpa e passividade. Não. Levante essa cabeça, vadia, pegue um ônibus e corra para casa, para se esconder desta cena de via crucis da mulher moderna."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Segundona com petição

Sou a favor de se resolver as coisas na porrada. Não entre desconhecidos no trânsito, no jogo de futebol ou na fila do banco. Sou a favor da porrada entre íntimos. Mas, claro, com muita ética. De igual pra igual (deve ser fácil porque sou grandona...). Mas, tem mais. Sou a favor da porrada pra resolver questões políticas. Uma vez um amigo disse: "Não vou ver o debate não... iria ser da hora se tivesse só um microfone no meio do cenário..."

Hoje vou aprender como fazer uma petição. Pelo que eu entendi, uma petição é um pedido escrito de uma forma bem rebuscada. No universo judiciário, creio eu, até pra mandar alguém pra puta que o pariu, é preciso redigir uma petição. "Excelentíssimo senhor doutor da casa do caralho, venho por meio desta solicitar encarecidamente que o sr. vá pra puta que te pariu. Sem mais."

Isso fere meus princípios!