quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saga da máquina pública

Estava um posso de serenidade, uma coisa fofa de Deus. Mas desci da minha nuvem rosa e peguei um busão até Aviãocity. Pra dar uma passadinha na 1a Vara do Ilmo. Sr Juiz Zé Pindolinha da Comarca de Aviãocity.

Estou com uns unhão vermeio. Chegando lá, para pedir vista do processo judicial que determinou a PENHORA da minha conta bancária, já comecei a sentir um comichão. Às vezes sofro por viver no tal "Estado de Direito". Uma vontade de sair dando unhada na cara de cada funcionário sorridente daquela Vara. Com todo o respeito aos poucos funcionários públicos empenhados desse Brasilzão, toda vez que eu visitei repartições públicas era só alegria. O povo se diverte o dia inteiro e vc fica lá com cara de bosta para ser atendido. Unhada na cara já!

Aí a pérola da tarde: estou sendo processada pela mesma coisa, mas por duas Varas de Zés Pindolinhas diferentes. Tudo por que não parece existir lá muita comunicação entre os orgãos públicos. Aí terei que nomear um advogado (calafrios), provavelmente um daqueles que estudam na Uniboçal de Aviãocity. Vou ter que ensiná-lo a escrever direito, pro infeliz ir tirar uma xerox numa Vara e anexar no processo da outra e protocolar umas duas petições. E esperar mais um pouco...

Nossa...deu uma vontade de cantar o hino nacional...dá licença...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Devaneios

Huuum...
Primeiramente, sobre o link anterior, esqueçam... nada de padrões.

Na cozinha, com o "homem" da casa. Que, obviamente, diz amém pras três insanas sem nada questionar. Cheguei à conclusão de que o que mais tenho lido nos últimos 3 anos ou maaaais, são legendas. De seriados. É sim. E não tenho vergonha disso. Me irrito às vezes, quando não passo num concurso ou algo assim, mas eu a-do-ro coisas que esvaziam o hipotálamo, como diz uma amiga.

A-do-ro aquele programa do leilão de jóias de madrugada.
A-do-ro as novelas estranhas da Record.
Quase liguei pro Fala que Eu te Escuto e NÃO estava deprimida. Apenas queria participar da discussão sobre prostitução. Juro que tenho o número gravado na agenda do celular.

Minha mãe, quando eu era pequena, dizia que nós somos uma família de intelectuais. Sinto muito mamis, não somos. Corri atrás disso durante um certo tempo, depois parei. A frustração era muito grande.
Uma vez, um amigo disse que sou uma intelectual orgânica (Gramsci). Nunca li Gramsci mas agora posso até fazer referência. Eu gostei do que ele falou. Pelo que entendi, o intelectual orgânico é aquele que reflete sobre algo quando envolvido cotidianamente com ele. Então é isso que faço.

Eu gosto de reparar no mundo. E gosto de falar sobre a vida. Esse é o meu talento.
Agora, como encher o rabo de dinheiro fazendo isso? Estrelando um programa de fofocas?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Freudão me fez "peitinho"

Desacreditei.

Hoje foi um dia em que precisei conversar com um psicanalista. Isso mesmo. No caso, uma PSICANALISTA.

Aqui, voando pelas asas, até que agradáveis, das minhas férias, tive um chá de "racionalismo". Tava assistindo a uma série chamada "In treatment", que é bem legal. Os episódios são sessões de análise. E o desenrolar das histórias está ficando bem interessante. Mas vamos ao que "pegou". Um episódio em que o terapeuta conversava com sua supervisora sobre a traição da esposa, a transferência erótica de uma paciente e o caso de um cara que havia decidido divorciar-se depois de flagrar a companheira com bruxismo. Não vou me estender muito, mas eles chegaram à vivência de um padrão comum a todos os personagens em questão. Pesado o negócio. Odeio esses padrões. E acho que eles são é muito reais. Comecei a procurar loucamente padrões em minha vida. Encontrei alguns, não sei se estou certa, mas...vou ter que digerir essa sozinha mesmo.
Mas o melhor foi conversando com a Dona Psiquiatra. Ela é precisa: é médica pra mim, é psicanalista para um grupo seleto. Me aproveitei e pedi uma consultoria. Em dez minutos ela me explicou um pouco melhor o que era isso.

Porque o que me intrigou foi o seguinte:

Pelo que eu entendi do negócio, na infância, onde há a estruturação da personalidade, um evento frustrante ou traumático, pode sugerir um padrão de repetição na vida adulta, talvez para a elaboração e/ou superação deste mesmo evento. Ia usar um exemplo punk, mas não vou porque seria uma piadinha daquelas de te mandar pro inferno cristão.

A minha dúvida era se, um evento desse tipo na vida adulta desencadearia reação semelhante.

Ortodoxa que é, a Dona Psiquiatra disse categoricamente que não. Que os eventos assumiriam outra roupagem, com a mesma dinâmica. Achei bastante determinista. Porque comecei a pensar que esses padrões poderiam não ter absolutamente nada a ver com o "pipi do papai" (não vem ao caso os créditos para essa expressão). Deu nó.

Por fim, perguntei, depois de aceitar essa visão bastante hermética, porém respeitando-a:

- E o amor Doc? Existe?

Porque se tudo gira em torno do pinto, o que são os sentimentos?

A doc disse que sim. Então beleza.

Aceito palpites de bom grado. Mas manerem aí, por favor...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sendo "mais" mulher

Nem sei por onde começar...
Vivemos nos tempos "Eu vô batê uma siririca e vô gozá na sua cara!" (Tati Quebra-Barraco).Vivemos nos tempos da afloração de um suposto desejo, empanturrados de sex-shops, orgias, encontros casuais, compêndios de sexo. Somos incessantemente bombardeados por isso. Ok, não me filiei à liga juvenil da castidade. Mas é que hoje fiquei cho-ca-da!
Descobri que "existem" SEIS tipos de orgasmos femininos. E fiquei triste por todos nós. É a ditadura do orgasmo! Temos que gozar o tempo inteeeeiro gente! Tenho a impressão que DEFINITIVAMENTE vivemos num tempo meio cocainado. Temos que estar com um corpo disposto, saudável, producente, dócil e ainda por cima gozar pra caralho! Entendo a revolta pela displicência em relação ao prazer feminino, mas isso é torturante.

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Na cozinha. Não com a grosseirona.
- E essa história aí de orgasmos múltiplos, você já teve?
- Ih...isso aí é mentira...é coisa pra vender revista feminina.
- Também acho. Hoje descobri que existem seis tipos de orgasmos diferentes.
- Putz...
Cara de "tamo fodida".
- Mas eu já tive orgasmo múltiplo.
- Me conta! Qual a sensação?
- Ah, é uma daquela só que mais demorado...
- Huuum...então eu também já tive.

Mas pensando melhor, se essa história de seis orgasmos tem procedência, então eu não tive não.

Teria tido é um infarto. Imagina ter gozado com os peitos, com o cu, com a xana, com o clitóris , com o cérebro e com sei lá mais o que, tipo, a sola do pé? Tudo ao mesmo tempo?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Novas da gosseirona

Ah, a grosseirona, aquela que Deus não deu asa porque sabe o que faz, rendeu mais um bom post.
Na cozinha. Novamente falando sobre relacionamentos:
- Aí ele me perguntou se tava tudo bem com o fato de ele levar a moça lá.
- E tava?
- Tava. Ele perguntou se eu me senti mal. Usei a analogia do pinguim lilás para explicar. Já te falei sobre o pinguim lilás?
- Não.
- Imagina se você visse um pinguim lilás. Você iria bater nele? Você iria matá-lo? Não. Você diria "Noooossa! Um pinguim lilás!". Sacou?

Deus deu asa pra pinguim? E para os lilases?

terça-feira, 8 de junho de 2010

A maldição dos feromonios


Ter útero é um negócio bem maluco, todos sabemos, tendo ou não. Agora, ter feromonios é algo mais doidão ainda, o que me leva a algumas reflexões.

Como fruto da cultura contemporânea, onde a instituição da família nuclear e do casamento é um tanto falida, o que chamo de "Lar" é um apartamento ocupado por três minas e um cara. Meu avô não entende até hoje como isso é possível. Desisitimos de explicar e dissemos que o rapaz, quase um Lord, é gay. Aí ele também ficou preocupado, pois ele acha que gays são perigosos, mas não mais perigosos que um macho viril e comedor. Então tudo certo.

Demorou, mas parece que nosso ciclo menstrual finalmente está se sincronizando. Para quem não sabe, isso é muito comum de acontecer quando um grupo de mulheres convive juntas por muito tempo. Imaginem um convento, um prostíbulo ou uma sala de professoras do ensino infantil. Deveria haver uma semana de licença-TPM.

Agora, o que me deixa com a pulga atrás da orelha é o seguinte: a liberação de feromonios e sincronização dos ciclos se dá para que todas as fêmeas de um grupo ou local estejam férteis no mesmo período, para que o macho, se único, acasale o máximo possível.

Ô dona Mãe Natureza! A senhora tá perdendo o critério! Eu não quero dar para o Gustavo, porra!



terça-feira, 1 de junho de 2010

Precursora da Julia

Sabem a Julia? Aquela que povoa mil histórias eróticas em livretinhos baratos, escritos por homens, que existem há uns cinquenta anos? Tem também Sabrina, Laura e afins...Toda leitora brasileira de Julia é fã do Wando. Batata!

Descobri quem é a precursora da Julia: a Lady Chatterley.
Tenho cá comigo um livro de contos eróticos. Nele encontra-se um texto de D. H. Lawrence. Cheio de floreamentos, o organizador do livro diz que ele foi acusado de pornografia, lá pela década de 1940 e que as primeiras edições do livro "O amante de Lady Chatterley" foram censuradas. Ele diz também que Lawrence é também um dos maiores expoentes da literatura inglesa. Se isso for verdade, então estamos fodidos.
Lady Chatterley é uma burguesa entediada, casada com um herdeiro da nobreza britânica que voltou da guerra paraplégico e com a pindola em modo off-line. E quer dar!
Mas até ela dar gostoso, é tanta ladainha, que eu não entendo porque é que passei da metade do livro. "As pereiras e as ameixeiras haviam florescido inesperadamente e uma brancura maravilhosa irrompia aqui e ali". Tô começando a ficar com raiva de tantas flores. "Dentes-de-leão", margaridas, quelidônias, jacintos, miosótis, aquilégias e muito mais, num só parágrafo. Na falta do que escrever, eis toda uma biodiversidade dos bosques ingleses, cadê os hormônios dessa gente?
Ah, sim, há momentos "luta-de-classes" neste engodo. A Lady Chaterlley finalmente encontra alguém pra dar, um guarda-caça do bosque privado de seu marido, protetor do que ainda resta dos tempos de uma sociedade estamental. E esse mesmo "protetor" é um homem desiludido com o mundo e com as pessoas, um membro comum da classe operária, porém "educadinho".
E ele é rude, gente! E ela adooora. E a classe operária soca na burguesia, que convive por conveniência e por falta de ímpeto para se rebelar contra a nobreza. E eu não sei o que tô fazendo com o livro na mão. Tô chegando no final e o papo furado não tem fim. Cheguei por um momento a me sentir Lady Chatterley, no que concerne à mesmice da existência. Com um abismo que nos separa, através da ficção e da quantidade de libras guardadas num banco, é claro. 
Faz mal pra cabeça. Não vou terminar de ler essa porra não.