sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Banzo"

Tenho cá pra mim que o trajeto entre viagens é um local neutro dentro de nossa subjetividade. Parece que é meio que um pause existencial.
Uma vez acompanhei uma amiga até nossa cidade natal, logo após o suicídio do ex-namorado dela. Este é o exemplo mais conciso que tenho. No caminho, ela dotou-se de uma leveza, como se tudo o que aconteceu estivesse num lugar muito distante. Após seis horas de viagem, ao adentrarmos o perímetro urbano da metrópole, a moça desabou. Tudo voltou.
Passei uns dias fora e deixei aqui umas criaturinhas. Quando voltei, logo ao abrir a porta de casa me deparo com elas encarando-me. Com aqueles olhos fixos e vivos de quem cobra algo de alguém.
Estou de volta e tem um negócio me comendo por dentro.
Moço Esguio chama isso de "banzo". É o "banzo" de domingo, é o "banzo" de retorno, são tantos outros "banzos" por aí...
Quero um abraço...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mais simples do que se imagina

Conversando com uma psicóloga ontem. Juramos que não iríamos falar de trabalho. Mentira.

- Trabalhei numa instituição com deficientes.
- ...
- Conheci o Édipo. Era autista. Não estabelecia relações com nenhum outro corpo. Era muito estranho.
- Então, era só isso?
- Pois é...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aprendendo com Gloria Kalil

Às vezes eu tento ser fina. Mas falta muito. A italianada da Mooca cruzada com o passado em Aviãocity gritam em mim. Trabalhei com uma mulher fantástica que é muito, muuuito educada. Assertiva no Network. Jamais a vi falando mal de alguém. No máximo, seus olhinhos para o alto e, quando notava que eu havia percebido, assumia uma postura indiferente. Ela me ensinou: "Refira-se às secretárias como assistentes". Eu mesma era assistente. Só percebi que na verdade era secretária, um mês antes de ser demitida, mesmo assim, na minha carteira de trabalho está escrito "Coordenadora de Pesquisa". Com salário não compatível com o cargo, obviamente. Mas nem deveria. Eu só fiz cagada em tal posto. Apaguei HD sem querer, quase dei prejuízo de milhares de reais à empresa, sem querer. Chegava atrasada, sem querer. Ia trabalhar, sem querer. Ela não tinha "empregados" e sim "colaboradores". Um must! E se referia às pessoas como classe A1, B2, C1. "Tadinha, classe C1 é assim mesmo...".

Deixa eu ver se aprendi alguma coisa com ela:

Lixeiro = "Colaborador ambiental"
Costureira = "Personal Fashion Remake"
Diarréia, vômito e ressaca = "Indisposição"
Imbecil = "Querida"
Imbecil, vá pra puta que te pariu = "Querida, você poderia me passar para a sua supervisora?"
Tô cagando e andando pra vc = "Seeeei...Entendo per-fei-ta-men-te"
Velhinho aposentado que paga contas no banco pra não pegar fila e ainda ganha algum = " Office - Old Man"
Molequinho filho da puta = "Criança vivaz"
Trombadinha = "Criança carente"
Ex-namorada do namorado: "Qual o nome daquela mocINHA simpática mesmo?"

Tô indo bem, gente?