domingo, 22 de agosto de 2010

Ops!

Tentando dar mais uma chance à psicologia, numa sala de um terapeuta. Depois de alguma conversa:
- Bem, não gosto de me ater a uma abordagem muito específica, no entanto fiz uma pós graduação na linha fenomenológica-existencial.
- É mesmo? E do que se trata?
- Na verdade, blá, blá, blá...
- Huuum.
- E parte de uma certa leitura de Heidegger.
- Olha...a última vez que ouvi falar de Heidegger, foi numa festa, há muitos anos atrás, umas quatro e meia da manhã. Eu já estava doidona. Aí, um cara que fazia pós aonde eu estudei, em Heidegger por sinal, me falou umas coisas. Eu na verdade, não me lembro de nada. Só de perguntar 'Como é que você não deu um tiro na sua cabeça, ainda?".
O jovem psicólogo sorriu.

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Na cozinha, onde brotam as melhores conversas, inclusive as de pé de ouvido. Chego e conto a história. Muitos risos e o comentário:
- Mas o Fulano tentou se matar, vc não sabia?
- ...

Na segunda sessão, esqueci de contar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mais sobre o amor

O caso: Casal se separando. Novos horizontes.

Agora, minha explanação:
No meio do vendaval, aparece alguém no caminho. Frescor e leveza da novidade. Tristeza e luto por um relacionamento que se vai. E esse luto...ah, esse luto. Enterramos com o relacionamento uma parte de nós que também se foi. Apontamos para mudanças. É a oportunidade de nos reinventarmos, ou ainda, de acordar alegrias dantes adormecidas. Mas, é lógico, que a névoa da despedida nos furta a vista.
Hoje sou a favor da fase moletom. Calcinha bege, nada de depilação, apenas alguns filmes, comida e caixas de lenço. Para chorar o defunto. Uma cana, eventualmente, para beber o morto é muito bem vinda também.
No processo de separação, faz parte do "pacote" a presença incômoda de "outros". "Outros" estes que inspiram o seu objeto de amor a aplumar-se, embelezar-se e tornar-se encantador. Novamente. Novamente o frescor. E a pergunta: "Porque o (a) infeliz não fazia tal coisa quando estava comigo?". Porque não era pra vocês! É a tal da "simbiose neurótica" (créditos para alguém que já se foi). Avaliemos, cada qual, nossa parte neste tipo de relação.
Agora, sobre o "outro": personaliza o fracasso a que estava fadada a relação. Torna-se objeto de raiva. Racionalmente arrumamos mil desculpas para odiarmos este tal "outro". Mentirosas. Odiamos mesmo é o objeto de nosso amor, por deixar à mostra a urgência do fim.
E depois de um tempo (sábios os velhos que dizem que este cura tudo), talvez venha a oportunidade da resignificação: há um afeto que não cabe no território da paixão. Daí pode nascer uma amizade sólida entre velhos conhecidos. E olhar para trás, traz o alívio de haver velado um relacionamento infrutífero e infeliz no momento propício. Então se ri com a tão almejada leveza, dissipada de mágoas, que só alguém que cresceu com a "perda", pode ter. Estamos prontos para nosso próximo amor, ou até mesmo GRANDE amor. Que delícia!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O néctar

Pois é, tento me conter pra não postar determinadas coisas aqui, mas não caibo em mim. Tenho que dividir meu estado de graça.
Vi uma foto do meu amor, tão linda! Tão iluminada e alegre, tão ele! Um sorriso que me faz sorrir, um brilho no olhar que me comove. Totalmente exposto em sua subjetividade. Me faz pensar novamente o que pensei quando nos "encontramos": presente da vida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esguelando

Azedume incrível. Tentando me recordar de paliativos para adoçar o azedume. Deu vontade de cantar. Bem alto. Mas não dava, tinha muita gente perto...
Mas hoje deu! E a trilha de exorcismo começou com Magical Mistery, depois pra Gal-Fatal. Cantando desafinada junto com a Gal. Beeem alto. E ninguém ouviu, porque o boçal do meu vizinho tava ouvindo o Bonde do Canguru. Deus que me livre. Hoje não o odiei tanto, pois ele desviou as atenções pra si.

O dia está começando, o que será que vou cantar mais tarde?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Caranguejo psicótico

Cancerianos tem garrinhas que são como antenas parabólicas. Talvez seja essa a sensibilidade que nos é cara, tão comentada por aí.
Temperadas com hormônios femininos, as percepções ganham um tom de assombração, por vezes beiram o delírio. É isso que eu espero, na verdade. Que todas as baboseiras que ando pensando sejam só mais um delírio sazonal.
Cancerianos se antecipam às atitudes dos outros. Mais ou menos assim: enquanto assiste alguém, vai enxergando os próximos passos deste outro, antes mesmo dele. É quase um devir-vidente. E é nato, não é um exercício.
Estou com medo do que ando antevendo. Meu não-sei-o-que-na-casa-de-Mercúrio grita em mim. Grita para eu gritar. E perguntar de uma vez por todas, "o que é isso?". Mas quando paro pra pensar que pode ser só mais uma fantasia, fico com vergonha. E assim mesmo, sinto sintomas que já me são conhecidos, de quando um sapo que é grande demais entra pela minha boca e não consegue adentrar pelo meu corpo: tenho enjôos e diarréia. É uma expulsão. É uma não aceitação.
(Silêncio)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Novas das criaturinhas

Criaturinhas me olhando, olhando...
Até que encheram o meu saco e as virei de cara pra parede! Se não quer conversar então não amola!