sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cartilha para o Devir Gado (Volume 1)

Sou da turma BG (Bicho Grilo) que não gosta de dar prova. Puta negócio nada a ver. Você vê um monte de gente super esperta se lascando porque não "domina" a matéria, fica num estado agoniante de nervosismo e ansiedade, fora o semi analfabetismo (cada vez mais presente, tanto em escolas públicas, quanto particulares).
As Diretorias de Ensino exigem provas. Na verdade, documentos escritos. Pobre diabo do aluninho que tem que se prestar a tudo isso por conta dos burocratas adultos que não sustentam o modelo educacional.
Tentei fazer algo diferente nesse bimestre. Um trabalho de campo, em que a apresentação privilegiasse outras linguagens de expressão, em especial midiáticas. Teria peso 2, para aliviá-los da prova bimestral. Dando certo? Só em uma sala, de três. A outra teve adesão parcial e a crica do terceiro ano quer tudo do jeito de sempre. Estão fazendo a "lição-de-casa" direitinho. Calafrios.
Agora estou aqui. Preciso elaborar a prova bimestral, já com prazo estourado. Já que tenho que aplicar isso, tento fazer com que esse se torne um momento útil na vida dos meus alunos. Então, elaborar provas, pra mim, é um processo criativo, quase artístico. Mas tô sem a menor "inspiração".
Acho que vou ver um filminho...quem sabe me brota algo, não?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O velho sábio chinês

Nove na terceira posição significa:
Mantendo imóvel o quadril.
Rigidez na região do osso sacro.
Perigo.
O coração sufoca.

Isso se refere a uma tranqüilidade forçada. Procura-se dominar a agitação do coração por meio da violência. Porém, o fogo, ao ser abafado, transforma-se numa fumaça acre que vai asfixiando à medida que se espalha.
Do mesmo modo, em exercícios de meditação e concentração não se deve procurar forçar resultados. Ao contrário, a quietude deve surgir espontaneamente, a partir de um recolhimento interior. Caso se procure impor a tranqüilidade através de uma rigidez artificial, a meditação poderá causar grandes perturbações.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

...

Eu tenho um negócio aqui dentro de mim. Me faz desejar quebrar paredes num chute ou atravessar portas com um soco. Vou do 0 a 100 rapidinho. Porque eu tenho um negócio guardado aqui dentro de mim.
Entendi mamãe. Parecer ponderada dá muito trabalho. Demanda uma energia quase cancerígena. Faz mal pro pulmão. Guardar não deixa a gente respirar.

Continue

E abri um sorrisão ontem. De orelha a orelha.
Um casal de amigos vai celebrar o seu amor. Isso é lindo!
Fiquei imaginando o reencontro com os amigos, alguns que não vejo há uns cinco anos.
Fiquei pensando sobre as "fases" da vida (burguesa, evidentemente). Como num video-game:

FASE 1: Infância e adolescência. Necessidade de afirmação de um lugar agradável no mundo.
Chefões: Pai, mãe, escola.

FASE 2: Pós-adolescência. Necessidade de afirmação de um lugar agradável no mundo. Exercício contínuo de joguetes pós-adolescentes contra regras idiotas que nos dizem - temos que seguir. Solidão. Pessimismo. Melancolia.
Chefões: TCC, inserção no mercado de trabalho, CPF.

FASE 3: Vida "Adulta". Necessidade de concretização de um lugar agradável no mundo. Harmonização consigo mesmo, em especial com as próprias fragilidades. Objetivação.
Chefões: Chefe, horário comercial, restrição no CPF.

FASE 4: Compartilhando a vida "adulta". Você finalmente conseguiu um pouquinho de paz em seu coraçãozinho e quer dividir isso com alguém legal.(NESSA FASE ESTÃO ALGUNS AMIGOS)
Chefões: Horário Comercial, Comidas Gordurosas, Prestação da Casa Própria.

FASE 5: Compartilhando mais um pouco a vida "adulta". Tão bacana essa vida compartilhada, que não custa nada dividir com mais alguém. No caso, uns bebês, quem sabe?
Chefões: Hormônios Alucinantes, Privação de Sono, Horário Comercial.

FASE 6: Compartilhando porra nenhuma com ninguém. Deu o que tinha que dar e você quer a separação. Inclusive dos filhos.
Chefões: Ex, você e a demanda das crianças.

E por aí vai. Felizmente, as pessoas que eu conheço que vão nessa festa, ainda estão entre as FASES 3 e 4. Alguns na 5. Ninguém chegou na 6 ainda pra contar como é que é...espero que tenha um Password secreto pra todo mundo continuar contente. Um bando de gente rindo igual idiota. Adoro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Supernanny mandou beijos

Um Garotinho precisando de acompanhamento escolar. Uma mãe "moderna", trabalhadora, que terceiriza todos os tipos de serviços.

Tô indo lá. E batendo papo com o Garotinho, que é muuuuito esperto. Mas hoje chego e ele escondido, mais do que todas as vezes. Mãe indo pra lá e pra cá, porta aberta, telefone, irmão, cachorro, gato, passarinho. Mãe diz: "Não repara não, que ele tá muito chatinho hoje". Garotinho se amua ainda mais. Pergunto o que há. Bom ariano que é, não gosta de responder essas coisas do coração.
Sem condições de dar aula. A agonia do Garotinho me angustia.
Vamos fazer uma brincadeira. Do que o Garotinho gosta? Ele não sabe responder. Então fazemos a listinha do que ele não gosta. Mãe aparece na sala, grita alguma coisa e sai:
- Ela é louca.
- Conforme-se, todas as mães são loucas. Pra toda a vida.
Ele ri.
Vamos adentrando um pouco mais na brincadeira. Ele vai se escondendo atrás dos objetos que aparecem na sua frente. E a aula? A aula é sobre você, Garotinho. Sugiro dar uma volta, ele não quer. Chegamos num ponto importante. Escrevo no caderninho:
" Garotinho não gosta quando a aula é interrompida.
(Puxo a flechinha) - Garotinho se sente desrespeitado, quando alguém não entende o que é importante para ele".
Estou certa? Sim, ele responde. E começa a chorar, cabisbaixo, bem quietinho.
Deixo ele alí um pouquinho, vou pegar um papel para enxugar suas lágrimas. A mãe passa pela sala, estranha, vai embora.
Até que interrompe o momento dele:
- Tudo isso por causa de um video game. A gente quer agradar, mas eles nunca reconhecem. Está se fazendo de vítima.
Garotinho atira a calculadora, o compasso e o estojo na mamãe. Comovente. Por ele, claro. Sai correndo pro banheiro da área de serviço e não abre mais a porta.
Ela vem falar mais pra mim:
- Não é por isso.
E começo a discorrer sobre o desrespeito a alguém que começa a afirmar sua individualidade, nessas situações "corriqueiras". Ela chega a uma conclusão óbvia, e sempre válida:
- Intimidade é uma merda.
Porque a gente perde a mão. Em especial com os filhos. Sempre quem toma no toba são os íntimos. Ela chora, abraça e se pergunta como não percebeu essas coisas antes.

Eu vou lá com o Garotinho, que meu negócio é com ele. A essa altura ele estava no quarto da diarista, sua grande tutora, escondido debaixo das cobertas.
Digo o que aconteceu e sobre as coisas que revelei à sua mãe sobre nossa conversa. Pergunto se ele me odeia por isso, ele sorri e diz que não. Ufa. Tenho pavor em quebrar relações de confiança tão sublimes.

Me parece que tudo caminha para um final (de semana) feliz.