terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pedido atendido

Um anjo atendeu ao meu pedido e mandou escritinho: os dois primeiros parágrafos do High Fidelity. A-do-ro.

"Em ordem cronológica, minhas separações mais memoráveis , as favoritas, as cinco que eu levaria para uma ilha deserta:

1) Alison Ashworth
2) Penny Hardwick
3) Jackie Allen
4) Charlie Nicholson
5) Sarah Kendrew.

Essas foram as que doeram de verdade. Está vendo seu nome nesta lista,Laura? Acho até que você conseguiria entrar sorrateiramente, nas dez mais, mas não há lugar para você nas cinco; esses lugares estão reservados para aquele tipo de humilhação e sofrimento que você simplesmente não é capaz de provocar. Provavelmente isto está soando mais cruel do que deveria, mas o fato é que já passamos da idade de magoar um ao outro, e isso é uma coisa boa, não é ruim, de modo que não leve para o lado pessoal o fato de você não ter entrado na lista.
Aqueles tempos se foram, boa viagem e fodam-se eles; a infelicidade realmente significava algo naquela época. Agora é só um saco, como ficar resfriado ou não ter dinheiro. Se você realmente queria me sacanear, deveria ter me conhecido antes" N.H

domingo, 28 de novembro de 2010

Momento High Fidelity 2 ou 3

Ainda desejando o livro de cabeceira que não tenho, vou relatar aqui um Top 5 das desilusões amorosas, mas só com o último lugar, porque eu não sou idiota. Bem, não tanto.

José Vinícius.

1992, 4a série. Ao final do ano, J.V. entra na escola, fugindo de alguma repetência ou algo do tipo. Amor à primeira vista. E quanto mais distante, melhor. Como todo coração apaixonado com dez anos de vida. Mas, arrisquei. Enviei bilhetinhos para saber mais sobre aquela pessoa. "Você veio de qual escola?", "Tem irmãos?", "Mora aonde?". Tudo com uma caligrafia grotesca. Nos aproximamos e nos tornamos muito amigos.
Mas, minha vida em modo loser, começou aos onze. E na quinta série, entrou uma garota chamada Andressa. Nos tornamos amigas, muito, mas muito íntimas. Com toda a intimidade que alguém de onze anos tem a oferecer.
E a Andressa tingia o cabelo. De loiro. Algo que sempre me suscitou desconfiança, principalmente se mal tingido.
Confidenciei meu amor secreto. Contava tu-do. "Ele sentou perto de mim na Educação Física", "Ele copiou a lição do meu caderno", "Ele pegou um pedaço do meu lanche".
Até que um tempo depois (talvez uma quinzena com toda a intensidade pueril que nos leva a sentir que foram meses depois) fui ao aniversário da Andressa.
E ela estava lá.
E o José Vinícius também.
E eles ficavam se roçando.
Então, percebi que me fodi.
E eles se beijavam de língua! Eca!

E depois, na escola, juntamente com outras criancinhas malditas, esse casal começou a me zoar. E afetaram a minha estrutura emocional, até hoje. Acho que foi daí que comeceeeei a maturar um processo, de que algumas coisas só se resolvem na porrada.

Taí o quinto lugar.

sábado, 27 de novembro de 2010

No dos outros é refresco

Eu queria um exemplar do livro Alta Fidelidade, cá comigo. Aquele personagem é muito loser. É loser como a gente. Eu queria me divertir às custas dele. Rir dele e de mim. Pensar nele e pensar em mim. Este se tornou um livro de cabeceira que eu não tenho. Daria tudo para ler os dois primeiros parágrafos neste e-xa-to momento.

Mas só posso me contentar com um trecho do filme, talvez o único legendado e como não entendo picas de inglês, a não ser completamente bêbada, vai esse mesmo:

http://www.youtube.com/watch?v=OWYBe0iCL08

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O velho sábio chinês 2

Seis na segunda posição significa:
Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
A perseverança traz boa fortuna.

Aqui descreve-se alguém que não se deixa enganar por ilusão alguma. Enquanto outros se deslumbram com o entusiasmo, ele reconhece claramente os primeiros sinais do tempo. Assim, não adula os que se encontram acima, nem negligencia os que se encontram abaixo. Ele é firme como uma rocha. Quando os primeiros sinais de discórdia surgem, ele percebe o momento próprio à retirada e não se retarda um dia sequer. A perseverança em tal conduta traz boa fortuna.
Confúcio comenta e respeito dessa linha: "Conhecer as sementes é sem dúvida uma faculdade divina. Em sua relação com seus dirigentes o homem superior não é adulador. Na relação com seus subalternos não é arrogante, pois conhece as sementes. As sementes são os primórdios ainda imperceptíveis do movimento, o primeiro sinal de boa fortuna (ou de infortúnio). O homem superior percebe as sementes e age imediatamente. Ele não espera um dia inteiro.
Diz-se no Livro das Mutações:
'Firme como uma rocha. Nem um dia inteiro.
A perseverança traz boa fortuna'.
Firme como uma rocha, para que um dia inteiro?
Pode-se saber o julgamento.
O homem superior conhece o oculto e o manifesto,
conhece a fraqueza e também a força:
por isso as multidões erguem o olhar para ele".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Chuva

Chuva na metrópole.

eu: zzzzzzzzzzzz...
meleins?
Ele: oi!
melens. e aê?
eu: zzzzz...
Ele: sonão! aulas?
eu: acho que hj foi um dos dias que mais praguejei antes de me levantar
sim e acordei na hora da chuuuuva
Ele: sim... engraçado... chuva nunca me fez bem... acho que tenho um problema...
acho que só gostei de chuva de verão, que tinha hora pra cair, e geralmente estávamos cansados...
eu: quem tem problemas é quem não respeita a chuva e sai de casa
Ele: é mei isso...
eu: dias chuvosos deveriam ser decretados feriados compulsórios
Ele: ma se tenqui sair, tenqui. è memo...
eu: que continue chovendo entao, que durmo sem um pingo de culpa
Ele: hoje acordei com chuva, e voltei a dormir.

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Teacher's room. Engraçado, nessa manhã de chuva...Ninguém reclamava de nada. Raríssimo. Um colega mal abria a boca enquanto jogávamos conversa fora, durante o intervalo. Eu:
- Você não tá aí não, né?
- Tô off line. Na verdade você está falando com o meu avatar, enquanto estou ausente.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Chopin arruinou a minha vida

"E quando ela chegou ao fundo do poço, encontrou uma britadeira..." (J.P.)

Brincando de paciência comigo mesma. Perdi. Brincando de quebra-cabeça comigo mesma (sempre), faltam pecinhas. Encaixo algumas nos lugares errados. Às vezes já sei onde vai dar. O fato é: quando descobri que faltava um parafuso na minha cuca, descobri uma nova vida. Afrouxei o parafuso e alí estava uma velha conhecida: a melancolia. Que traz consigo outras e outras companhias. Que me levam ao abismo. Escalar abismos é comigo. Vivi uma vida inteira fazendo isso. Arrumei uma forma de tornar isso mais fácil e menos doloroso.
Tem existência que é vertiginosa. Conheço algumas. A minha vertigem conheci ao longo dos anos.
Tem existência que não cabe em si.
Tem existência que é delicada demais para mesclar-se com o mundo.
Sou mais uma futura velha solitária e louca, que vai viver num sítio cheio de cachorros. Ou tartarugas, talvez? Ou quem sabe, uma coala, uma preguiça?
Engraçado, que um amigo, na adolescência, já pintara essa imagem de mim.
Voltei a velhas questões. A velhos hábitos. A velhas dores.

Álvares de Azevedo arruinou a minha vida.
Chopin arruinou a minha vida.
Junqueira Freire arruinou a minha vida.
Fernando Pessoa arruinou a minha vida.

Hilda Hilst me ajuda na reconstrução.
Murilo Rubião.
García Marquez.
Raduan Nassar.
E mais uns outros. Me tragam o velho gosto da descoberta! Que é por ela que mantenho-me viva!

(Pode parecer um texto suicida, mas não é. É só o meu rabo de T-Rex, que detona tudo o que vê pela frente)