terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A roda

Às vezes tenho a impressão de que minha percepção de tempo não é linear e sim circular. Cíclica. Ao mesmo tempo, me engano eventualmente, ao pensar no contrário. O tempo linear, em nossa sociedade, pressupõe 'progresso'. Não gosto disso.

Que esta forma de sentir o tempo, é massacrante demais para nós, pobres humanos... Na nossa sociedade não há lugar para o erro, para a indecisão, para a consternação. Para o frágil, o vulnerável. Evidentemente, só no discurso da assepsia do corpo e da mente. Por que nos nossos pequenos - mas intensos - porões pessoais, depois de uma semana exaustiva de trabalho, a possibilidade de não se fazer absolutamente nada é amedrontadora. O encontro com aquilo que nos torna profundamente humanos, o silêncio do ócio, suscita um certo pânico.

Ontem foi a primeira segunda-feira do ano. E embarquei nessa. E foi terrível! E não conseguia fazer um movimento inverso. Estava me sentindo improducente, com uma listinha de coisas a serem resolvidas. Coisas estas que dependem mais de tempo do que de mim, para serem sanadas.

Ao mesmo tempo, sinto voltar ao começo do ciclo. Todo ano é meio que a mesma coisa: as mesmas questões estão lá para serem tratadas em janeiro. E outras em julho e outras em novembro e outras em dezembro. Sabe que não acho isso ruim? Por que a cada ciclo, sou uma nova pessoa e trago comigo novas experiências sobre novas e velhas questões. Pareço aprimorar-me, ou não, nas regularidades. As novidades são raras. Mas creio pertencer a uma velha escola que respeita o andamento da semana, da lua, do inferno astral, da colheita de uvas, que seja. Com um certo sacrifício, evidentemente. Já que o bailado do salão quer sempre me levar pra dentro da roda.

Respire fundo, Coala. Você está apenas de férias.