sábado, 9 de abril de 2011

Show de calouros

Depois de uma espécie de biscoito da sorte me dizer que eu sempre estou na mão de um "outro", seja lá quem ele for, para delegar-lhe a responsabilidade de pensar em minhas certezas, nesta semana, passei por duas bancas avaliadoras.

A primeira, foi silêncio sepulcral e uma leve antipatia. Foi num dia em que eu estava afetada por hormônios e por alguns dissabores que fazem parte. Não deu. E, pensando no "biscoito da sorte", eu juro que gostaria de saber onde eu errei. Por que, não tendo certeza de nada nessa vida e assim, vivendo suspensa, faço o que faço meio que por acaso. E nunca me convenci que faço direito.

A segunda, foi mais amistosa. Me senti mais à vontade para falar aquilo com o qual não me comprometi. Fiz um juramento no dia da formatura e nem me lembrava deste momento. A recordação veio quase seis anos depois, por acaso também.

Mas eu queria muito que alguém me dissesse: "Você falou merda aqui ou ali...". Porém no mundo cão, as pessoas não tem essa "obrigação". A de ajudar o outro a ser uma pessoa melhor.

No fim, desabafei: "Estou me sentindo, nesta semana, participando do Ídolos."

No "Ídolos" da vida, gente.

E vamos ver se passei...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tremor

O negócio carcomendo aqui dentro por esses dias.

A boca tremendo.

Mas eis que no meio do caminho, encontro um espírito afinado com o meu. Um menino de dezesseis anos com problemas de gente grande. E ele sabe disso. Ele sabe também que não tem volta. Ele sabe que se transformou em existência. Porque tem gente que não é gente. É mais que isso, é existência. E não tô falando de Tirandentes ou Pedro Álvares Cabral. Tô falando existência que é tão escurraçada de uma lógica habitual, que baila sobre a vida na pontinha dos pés. Não que ficar na pontinha dos pés seja fácil. Afinal, pé de bailarina é fraturado, calejado, cheio de esparadrapo.
E a pergunta: o que vamos fazer por você, menino, já que o que a sociedade cobra é que, enquanto você não tem dezoito anos, deve ser cuidado e não cuidador?
Isso tudo é mentira das mais descaradas.

Menino me diz que, qual a razão de sua vida? Eu respondo que demorei pra descobrir que a vida tem lá suas delícias.

Menino me agradece, mais uma vez e digo, mais uma vez, para ele não me agradecer.

Menino me diz que me agradece, porque no meio de sua loucura, encontrou alguém que já passou pelo que ele passou e o compreende muito bem.

Dou um abraço no menino e lhe digo que uma das delícias da vida, são os encontros que ela traz, sorrateira.

Ele me fez lembrar disso.

Amanhã talvez eu vá menos trêmula, trabalhar.