quarta-feira, 20 de julho de 2011

A desagradável arte de se fazer presente desnecessariamente

Algo que acho extremamente desagradável: pra mim e pros outros. Entenda-se que acho isso desagradável hoje, portanto se alguém tiver alguma historinha do passado, relacionada a mim e ao que vou escrever, digo de antemão que eu mudei!

Bem, quando tinha vinte e pouquinhos anos, havia terminado um namoro, engatado outro e queria tudo ao mesmo tempo. Fiz uma coisa muito feia. Comecei a punkear a namorada do meu então ex-namorado. Aparecia na casa dele em horas estranhas, ficava ao lado do casal nas festas, chamava-o para tomar um café descompromissado. Até que a coitada desistiu. E saiu falando por aí que nós tínhamos sido feitos um para o outro, que era inevitável. E isso me fez lembrar que eu tinha um novo namorado! E aí caí em mim. "Caramba, que foi que eu fiz?".

Esta é apenas uma das histórias do meu passado negro.

O resto eu tenho vergonha de contar.

Desde já peço perdão. Os anos me fizeram uma pessoa melhor.

Aí vem esses sites de relacionamento. Sim, eu já causei no orkut. Eu fiz da vida de uma garota um inferno (perdão,perdão,perdão!!!).
E as coisas parecem ficar muito visíveis antes da gente descobrir as políticas de privacidade, não? Que tiram a graça do negócio, vamos combinar.

E aí, eu stalker, fico vendo um monte de coisas por aí. E percebo como a desagradável arte de insistir em se fazer presente, mudou de roupa.

Exemplos:

'Fulano mudou seu status de relacionamento para solteiro'
Aí vem uma louca e curte. Fiquei com vergonha alheia.

'Frases de efeito para aparecerem nas atualizações de ex'
Sentimento de pena.

'Ex passou um tempão namorando e depois que terminou, está se sentindo solitário, carente e fracassado, resolve te adicionar'
Recuso educadamente.

'Ex fica comentando no mural dos seus parentes e amigos, menos no seu'
Quer um abraço? Morra.

Enfim, sites de relacionamento são mais reais do que as pessoas inteligentes imaginam. Então o risco de tomar um soco de um desconhecido no meio da rua cresce.
Sen-si-vel-men-te.

Fi-ca a di-ca.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma carta de amor

Hoje te vi, você quase nonagenária, menina. E te vejo menina desde que eu me conheço por menina. Desde que era picada pelas pulgas que você, menina ofendida, ignorava em tua casa. Neste momento te amo com fúria, raivosa pelo sentimento que despertas em mim. Faze-me uma pessoa melhor. Desde que deixei de ser menos imbecil percebi: saímos ao mundo, fazemos um monte de idiotices conosco e com os outros e, eventualmente, quando voltamos ao teu inferno-paraíso, o teu teu, tu nos olha como se fôssemos as melhores pessoas de todos os tempos. E somos. Nessas poucas horas que passamos contigo. Aliás, te culpo por me fazer o tempo passar bem mais devagar do que deveria , na tua companhia e você ir se despedindo do mundo sem percebermos.

Você, tão terna. E tão inquieta com a vida que me faz querer passear como tu passeias. Me faz querer olhar pela janela do coletivo, procurando e encontrando sempre algo novo a se apegar. A menina. Lá vai a menina com o cartão do idoso passando pela catraca. Você me fez amar a velhice mesmo odiando-a. Você me fez não ter medo dos anos. Você me exauriu uma energia neste momento, que termino este parágrafo quase que em colapso.

E vendo-te perder tua última irmã-menina é desolador. Vendo-te sentir-se só demais nesse mundo incompreensível, mais só, cada vez e cada vez mais, me faz sentir-me uma péssima pessoa. Por que vejo tua memória esvaindo-se nos velórios de outros velhos, se você, tão vivaz e com a mente cada vez mais lívida, implora por mais um fio de vida?
Não quero que a tristeza te leve. Você é a MINHA pessoa. Egoistamente MINHA. Você transcende certo grau de parentesco. Você é minha companheira de vida.