quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pequenas sortes

Do lado da Ilha, olhava para o continente e pensava: "Tchau, mundo!". Às vezes dava mais ênfase ao "tchau", divertindo-me em silêncio, enquanto um ou outro estranhavam meus risinhos solitários. Assim começou a contagem regressiva para mais um final de ano cansado. Ai, vida! Às vezes tenho preguiça de existir. E mesmo tendo a possibilidade de viver minha preguiça plenamente, fica um beliscão interno me repuxando, me ditando algo para fazer. "Tchaaaau, mundo!". Felizmente tive a oportunidade de me desprender, nem que fosse por alguns instantes.
Um deles, foi de cima de um caiaque. Envergonho-me por querer descrever um momento que foi puramente instintivo. Parava de remar no meio do mar e por lá ficava. Admirando a imensidão do Mar-Ele. A companhia me perguntava se eu estava cansada. Quando ele me puxava para o mundo com suas perguntas, mesmo que do outro lado - o lado da Ilha, eu me zangava.
Na noite da virada, que como sempre chovia torrencialmente, houve uma grande pausa na aguaceira, próximo às onze e meia da noite. Pensei ser um momento de uma breve sorte. Tentava olhar da Ilha para o "mundo", identificando se haviam nuvens desaguando na costa. Parecia não haver. Para onde teriam ido as nuvens? Onde estaria chovendo naquele momento? Seria um instante sortudo para todo mundo? Provavelmente não. Mas me agarrei naquele ínfimo bom presságio, para um ano que segundo os Maias, os astrólogos e a União Europeia, será de arrepiar.

Um comentário:

andre disse...

mar-ele, ela-lua! bom demais o texto!