domingo, 17 de junho de 2007

Um causo

A gente encontra caricaturas todos os dias. Mas ontem, encontrei um ser que gostaria muito de esbarrar por aí de novo. Era um senhor, de seus cinquenta anos, que passava pela rua:
- Você parece a Sheryl Crow.
- Obrigada - acreditando ser um elogio.
- A Sheryl Crow diz: para um mundo machista, ouça Sheryl Crow.
O sotaque, carregado, era de um nordestino. Era andarilho, não de todo, abandonando-se. Parecia ter casa:
- Você é roqueira?
Fiz um sinal de mais ou menos por não gostar dessas denominações. Aquele homem para mim, era um personagem de um teatro de mambembe, daqueles que sobrevivem só com a esperança. Fiquei realmente tocada. Ele era muito expressivo. O jeito que o homem empostava a voz e o corpo era performático demais para aquela hora e aquele lugar:
- Eu nasci no começo do rock'n roll. Nasci no tempo de Beatles, Frank Zappa, Bob Dylan.
- Que presente!
Pois senti que aquilo era muito importante para ele. Queria dizer as minhas impressões , mas fiquei receosa dele compreendê-las de forma pejorativa:
- O senhor parece ator de teatro.
O homem sorriu.
- Poucas coisas boas alguém, como eu, que leva essa vida, que é alcoólatra...
- Isso não quer dizer nada.
Pensei que ser alcoólatra não mede o caráter de ninguém, sinaliza outras coisas. .Ele ficou muito contente. E eu também, por que aquele encontro me trouxe a oportunidade de conhecer alguém tão raro e inquieto, que vive numa realidade diversa da minha e mesmo assim alcançamos uma empatia, fizemo-nos entender. Quem mora na cidade grande sabe que essas relações são difíceis de serem estabelecidas. Aqui há um nível de neurose muito grande.
Nos despedimos e nos desejamos sorte. Por que o mundo é cão e vamos precisar dela. Cada um à sua maneira.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Apresentação

Bem, tentarei não me ater à filosofia barata, domínio no qual, a Coala é mestra. Decidi escrever neste blog experiências irritantes, mas agora não dá, pois estou doente. Na verdade só entrei aqui porque achei que iriam encerrar a minha conta. Na verdade, não tenho porra nenhuma pra escrever. Na verdade, nem sei porque fiz essa porcaria, qual a finalidade de se editar um blog? Fico com esta pergunta, há anos, e nunca resisto. Apago, escrevo, censuro, mas hora ou outra faço um blog novamente. Talvez para passar o tempo. Talvez para aparecer um pouco. Talvez as duas coisas. Enfim....